Para não passar em branco:
Alex Almeida/ Folha Imagem

“Criança brinca em bota de Papai Noel gigante, na decoração natalina de um shopping da zona sul de São Paulo”
(do UOL)
E a foto é tão linda!…
Para não passar em branco:
Alex Almeida/ Folha Imagem

“Criança brinca em bota de Papai Noel gigante, na decoração natalina de um shopping da zona sul de São Paulo”
(do UOL)
E a foto é tão linda!…
8 de December às vezes me surpreendo
Freqüentemente me surpreendo com algumas palavras. Certa vez passei semanas com o incômodo da palavra “alguém”. Agora mesmo, ao escrevê-la, lembro-me de leve dessa sensação. Estranho o á, o éle… O gê-ú-ê então, que passe longe!
Outro dia foi a palavra “feira”. É uma sensação quase física. Olho para ela de esguelha, ela toda Feira, dá de ombros. Vira de costas, e ainda olha, entre a indignação e a discrição, para medir como reajo. O “ei” é o que mais me incomoda. Ei-la, oblíqua e inteiramente misteriosa. Deixo de reconhecê-la, e aí sim é uma das sensações mais inumanas de todas que já experimentei. O éfe depois o ei e um inadequado érre (que ninguém sabe quem trouxe, mas deixaram entrar).
Passo a duvidar se, de fato, a palavra existe. Feira? Nunca vi mais gorda. E ela, toda gorda, sai andando, descompassada, decidida em seu feio existir.