O dono

Estava no computador, e me aparece um impertinente insetinho, com asas tremelicantes e rápidas-rápidas-rápidas.

Tomo-me de susto, salto para trás. Apreendo seus movimentos, como se, quando olhando-o atentamente, suas asas esvoaçassem menos vida. Rá-pi-do-rá-pi-do-rá-pi-do…

Circunda o território - uma traça? Obriga-me a recuar mais.

Rápidorápidorápido. Entro em pânico. Aproxima-se de papéis, investe para o outro lado.

Nesse momento, vendo-me sem opções, deixo o quarto. Seu dono é o inseto, que ainda vacila antes de entrar em um buraco com jogos, papéis e bolsas, e desaparecer.

Trajando a mais pura coragem (toda ela que pude reunir nesse breve instante), ainda tentei - tentativa inútil - vasculhar as bolsas, puxar violentamente uma alça. O dono do território, sem contestação, é o inseto.

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Que mistérios tem Clarice?

Mais que muitos nativos, Clarice Lispector, russa posteriormente naturalizada brasileira, foi apaixonada por nossa língua, e soube se apropriar dela como poucos. É sobre o que versam grande parte das citações espalhadas pelo primeiro andar do Museu da Língua Portuguesa (Estação da Luz), que abriga a exposição “Clarice Lispector - a hora da estrela”.

A partir de documentos (desde a carteira de habilitação até fotos e cartas de sua vida pessoal e profissional), frases de suas principais obras, e da exibição contínua da lendária entrevista concedida à TV Cultura meses antes de sua morte, a exposição pretende dizer um pouco o que é Clarice. Ou, talvez, aumentar um pouco esse mistério.

“O que atrapalha ao escrever é ter que usar palavras. (…) Se eu pudesse escrever por intermédio de desenhar na madeira ou de alisar uma cabeça de menino ou de passear pelo campo, jamais teria entrado pelo caminho da palavra.”

Em uma sala imensa, as paredes repletas de gavetas pretendem suscitar no espectador essa curiosidade. Ao serem abertas (nem todas possuem chave), elas deixam o espectador entrar um pouco no mundo da escritora. O boletim de formatura na escola, manuscritos e revisões de crônicas, a carta do Exército brasileiro para agradecer esforços na guerra, cartas de amigos (entre eles, notadamente, Érico Veríssimo, íntimo da família), abrem-se aos olhos dos visitantes, que, pendendo para frente, parecem descobrir os mistérios de Clarice.

“Aí está ele, o mar, a menos ininteligível das existências não-humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos.”

O grande problema, entretanto, é que a exposição basea-se demais nessa “curiosidade” dos espectadores. Não são todos que aguentam abrir as gavetas até o fim. Ao menos foi o que senti. Com o tempo, cansam-se os olhos de tanta vida escondida no fundo de gavetas, cansam-se as mãos de abri-las, cansam-se as pernas de nelas chegar. E mesmo com tantos documentos, sem um texto explicativo que dela fale (de seus processos, de sua vida), saí de lá com a sensação de não ter conhecido muito da autora (para além de ter invadido um pouco - maravilhadamente - sua vida pessoal).

Outra questão que me deixou confusa foi o nome “A Hora da Estrela”. A não ser algumas TVs de canto, que exibem mulheres comuns lendo trechos da obra, a exposição pouco tem sobre o romance. Pelo contrário, citações de outras obras da autora são muito mais freqüentes nas paredes e gavetas.

A exposição que estava antes no museu, “Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas”, além de se focar especificamente em uma obra, apresentava ao visitante inúmeras formas de interagir com o espaço e textos explicando o processo de criação do escritor. Contribuiam para o interesse de quem chegasse os muitos objetos espalhados pela sala: escombros - onde figuravam frases (todas do Grande Sertão) que só podiam ser vistas de pontos específicos da exposição (com algumas escadas para subir), tonéis com água e espelhos, para ver as frases que estavam dentro da água escritas invertidas, trechos do livro em pedaços de pano que pendiam do teto (segurados em contrapeso por sacos de terra) e uma infinidade de outras coisinhas que davam a sensação de, de alguma forma, se estar dentro da obra.

Talvez aí esteja a grande diferença. A exposição de Guimarães nos colocava dentro de sua obra e seus processos, enquanto Clarice, aos olhos do público, deve permanecer um mistério.

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Harmonização galáctica

Não quero que meu blog seja um mero reprodutor de notícias bem selecionadas. É que essa matéria vem em encontro a um momento que tenho vivido.
O mundo, meus caros, precisa mudar, e penso fortemente que o movimento se dará em pequenos núcleos adeptos da não-violência. A iniciativa do prefeito de Caraguá pareceu-me exemplar. Como bem dizem na matéria abaixo, “Quando falamos em paz e em coletividade, o nosso inconsciente começa a mudar”.

Sexta-Feira, 06 de Julho de 2007 - 14:50
Caraguatatuba

Prefeitura institui o Dia Municipal da Cultura e da Paz

Por: Depto. Imprensa - Prefeitura Municipal de Caraguatatuba

O prefeito de Caraguatatuba, José Pereira de Aguilar, instituiu no calendário oficial município o Dia Municipal da Cultura e da Paz. As festividades da data acontecerão em 25 de julho. O projeto de Lei 1.435 de 28 de junho de 2007, foi aprovado pela Câmara Municipal, sancionado pelo Executivo e publicado no diário oficial na quarta-feira, dia 4 de julho.

No Dia Municipal da Cultura e da Paz, em todo o município, deverão ser realizadas atividades artísticas, científicas, religiosas e culturais e finalizadas com uma grande confraternização.

Na data, as escolas, museu, bibliotecas, prédios, repartições, instituições educacionais, científicas culturais, artísticas, entre outros, além de prédios públicos, deverão hastear a bandeira da paz com a realização de cerimônias relativas ao dia. O município também homenageará um cidadão ou uma entidade pelo trabalho realizado em promoção à Paz e à cultura no município.

As bandeiras deverão ter sob um fundo branco, três esferas vermelhas dentro do círculo. Todos os locais que hastearão a bandeira deverão confeccioná-la com verbas próprias, do orçamento vigente, sendo complementadas caso necessário.

A idéia de criar esta data na cidade, veio do Movimento do Dia da Paz, representada por Laeth Queiroz, que trabalha com o calendário Maia. A Bandeira da Paz foi apresentada em 1933, em Nova Iorque, após a 2ª Guerra Mundial, e por isso foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz. “Todos falam em paz, mas com essa lei em vigor teremos uma bandeira.
Quando falamos em paz e em coletividade, o nosso inconsciente começa a mudar e este dia será um momento de reflexão pela paz”, disse Queiroz.

Ele acrescentou que está muito feliz com a coragem do prefeito Aguilar em enviar o projeto para a Câmara, e tê-lo aprovado. “Há seis anos eu luto para que esse dia fosse criado em Caraguá. O mundo inteiro comemora a data, que é um dia de harmonização galáctica para todos. Entre as cidades do Litoral Norte, Ilhabela já comemora o dia e agora Caraguatatuba”, disse

bandeira paz

- Um pouco do Histórico:

A bandeira da Paz é um dos símbolos mais antigos do mundo. Suas três esferas foram desenhadas por Nicholas Roerich, como síntese de todas as artes, todas as ciências e todas as religiões dentro do circulo da cultura, que ele definiu como o cultivo do potencial criativo do homem. Ele acreditou que alcançar a paz através da cultura é um propósito para ser realizado por meio de esforços positivos da vontade humana.

Onde a bandeira for hasteada, além de reconhecer o grande alcance do passado, presente e futuro, estimulará o indivíduo a esforçar-se para realizar o seu alto potencial, embelezando todos os aspectos da vida e também estimula cada pessoa a tomar responsabilidade na evolução do planeta, isto é, ser o condutor da paz e simbolizar a transformação do indivíduo e da sociedade.

Roerich propunha que a Bandeira da paz brilhasse em todos os monumentos históricos e instituições educacionais, artísticas e científicas para indicar proteção especial e respeito em tempos de guerra e de paz.

Em 15 de abril de 1935, o presidente Franklin Roosevelt presidiu a cerimônia máxima na Casa Branca, em Washington, e vinte países latino-americanos e os Estados Unidos da América firmaram o documento histórico. “Criatividade Positiva é a qualidade fundamental do espírito humano. Demos acolhida a todos aqueles que superam dificuldades pessoais… impulsionemos seus espíritos para a tarefa da construção da Paz e desta maneira asseguraremos um futuro radiante.” “Onde há Paz, há Cultura; onde há cultura, há paz.”

Assinaram, na época, o pacto os países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Estados Unidos da América, Uruguai e Venezuela, através de seus Presidentes representantes, presentes na Convenção. Para que os municípios possam hastear a bandeira da paz e haver conscientização coletiva, cada município terá que fazer uma lei instituindo o dia, como fez o prefeito Aguilar.

na internet em: http://www.clicklitoral.com.br/04919.html

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