Enquanto isso, em Glasgow…

Os Gêmeos, Nunca e Nina pintam castelo em Glasgow

16/05/2007 - 07h40

Brasileiros grafitam castelo escocês do século 13

da BBC Brasil

Um dos mais importantes castelos históricos da Escócia está sendo pintado por quatro grafiteiros brasileiros.

Por cerca de um mês, os paulistanos, Nina Pandolfo, Nunca e a dupla conhecida como Os Gêmeos, viverão no castelo de Kelburn, em Ayrshire, para pintar a parede externa que contorna a fortificação.

O site do projeto Graffiti diz que “os artistas terão tempo de compartilhar e explorar novas idéias de ambos os lados do Equador, culminando em um grande trabalho de arte colaborativa”.

A idéia foi sugerida ao conde de Glasgow, proprietário do castelo, por seus filhos David e Alice Boyle, inicialmente como uma solução para substituir a camada de concreto que teve de ser retirada porque estava destruindo as paredes da construção.

Entretanto, David e Alice esperam que “esta arrojada e marcante manifestação artística atraia atenção da mídia, e desafie a compreensão do público tanto em relação à arte urbana do grafite quanto à instituição britânica do castelo”.

“É um projeto que faz ponte entre as dimensões rurais e urbanas, e une duas culturas bastante diferentes e orgulhosas”, dizem os organizadores.

Apanhador de cerejas

Os trabalhos começaram no sábado, dia 12. No primeiro dia de trabalho, os artistas brasileiros utilizaram uma máquina de apanhar cerejas como elevador para alcançar as torres da construção, que data do século 13.

A camada de tinta branca foi coberta com os primeiros rascunhos do que será o trabalho final.

O grafite deve permanecer no castelo por dois anos, quando uma nova recuperação terá de ser realizada. Até lá, os proprietários do castelo acreditam poder suscitar um debate sobre os conceitos de arte e vandalismo.

Nascidos em 1974, os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo conseguiram levar das ruas de São Paulo trabalhos que foram expostos em diversas cidades na Europa e em uma das principais galerias de Nova York.

Nina, mulher de Otávio, pinta desde 1992 grafites que têm como tema a natura, “dando importância a insetos pequenos e reconhecendo a beleza em todos os animais”, nas palavras do site do projeto.

O também paulistano Nunca é descrito como “uma das estrelas ascendentes da cena do grafite em São Paulo, e seus trabalhos mais recentes são altamente influenciados pelas cores e padrões geométricos encontrados em trabalhos de arte indígena da América do Sul”.

O castelo de Kelburn é considerado o mais antigo da Escócia, e tem sido habitado desde sempre pela mesma família Boyle, uma modificação do antigo de Boyville.

Os de Boyville vieram de Caen, na Normandia francesa, para o Reino Unido com o rei da Inglaterra Guillherme 1º, o Conquistador, em 1066. O atual ramo da família vive em Kelburn desde 1140.

Os grafiteiros (Nunca, Nina, Gustavo e Otávio Pandolfo)

Fotos do link: http://www.thegraffitiproject.net/(onde há vídeos, e fotos dia a dia do trabalho)

Veja o que já foi publicado no blog sobre OsGêmeos

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Racionais - pensando friamente

Uma nova proposta de análise

Pelo menos três hipóteses foram levantadas para o início da confusão na Praça da Sé, durante a virada cultural: uma garrafada em policiais, por parte da platéia; um grupo da platéia que fazia tumulto em cima de uma banca de jornal (em versão da polícia, que afirma inclusive que de lá, os vândalos teriam tentado invadir prédios pelas sacadas); incitações da própria banda, que levaram a uma reação da platéia contra a presença policial.

Infelizmente, ao invés de se discutir o porquê da situação instaurada, a questão que paira é: quem errou? Os meios de comunicação apressam-se em construir verdadeiras defesas de um ou outro lado. Cenas dos policiais em ato de fúria desmedida batendo ou o público inconseqüente cometendo atos de vandalismo povoam os principais meios, lutando, parece, por conter a verdade absoluta.

O que se esquece, porém, é que no jornalismo (como em qualquer situação em que se trate de fatos da realidade) não se lida com a verdade absoluta. E, mais importante, toda ação decorre de e reflete em inúmeras outras, e inúmeros outros fatores. Sem dúvida a platéia agrediu (mesmo quando apenas verbalmente) os policiais. Sem dúvida eles usaram da força em abuso de poder (para além do que seria, inclusive, seguro na situação – lugar lotado com pouco espaço para dispersão). Por isso, discutir quem iniciou a provocação, e, portanto, quem seria o “responsável” pela situação é supérfluo e perda de tempo.

Passa a ser a típica situação em que a população se vê comovida – comovida por imagens de carros destruídos, pela tristeza da ruína de um evento que deveria ser alegre, familiar, “da paz”: aquele que, uma vez por ano, em todos os pontos da cidade – mesmo os mais periféricos e carentes –, reúne toda a cultura que deveria ser oferecida gratuitamente o ano todo. Comovida burramente, superficialmente, passageiramente. E rápido como as imagens da repressão oferecidas pela mídia, o assunto é esquecido, ou bravamente “superado”. Para isso já se programou o “show pela paz”, com os destaques dessa edição, e já se anuncia a data da próxima virada. Nada como um novo evento, esse sim, da paz, seguro, cultural, para refrescar a mente dos cidadãos. Sem, é claro, participação dos Racionais MC’s, que devem, como se provou seguro para a maioria das pessoas, permanecer na periferia.

A questão se dá, entretanto, por outro lado. Não percamos linhas discutindo quem iniciou a confusão. Não percamos linhas a discutir se houve mais vandalismo ou mais repressão – quando um decorre visivelmente do outro, alimentando-se mutuamente. A população não precisa de cacetadas, bombas ou disparos de borracha. Para qualquer pessoa que pare um momento para pensar e analisar a situação, agir com violência é brutal e ineficiente. O problema é muito maior. A naturalização da violência policial (que leva freqüentemente a abusos) é fato de extrema relevância para se discutir na atualidade. Que outra forma de conter uma população ensandecida? Criando pânico, acuando, e gerando reações de violência ainda maior certamente não é a melhor resposta a se oferecer.

Além disso, a periferia se afirma cada vez mais como uma realidade descolada daquela do Centro (e que ironia interessante a confusão ter acontecido justo no “Centro” de São Paulo). Esquecer o assunto nos vai levar, ainda mais, à dicotomia esquizofrênica que divide São Paulo em dois: o centro civilizado, e a periferia reprimida.

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