Atitude panfletária

Tem horas que ela vale a pena: vamos divulgar! Aumento das passagens é absurdo, descabido, ultrajante! Quem pega ônibus de vez em quando sabe: o serviço não vale o que é cobrado, e ainda querem aumentar!

Vá lá:

“ÀS RUAS PARA BARRAR O AUMENTO!!

ATO REGIONAL - SUDOESTE

DATA: 29/11/06, QUARTA-FEIRA

LOCAL: EM FRENTE AO ITAÚ DA VITAL BRASIL.

HORÁRIO: CONCENTRAÇÃO A PARTIR DAS 13H

ATOS REGIONAIS: TODO LUGAR É LUGAR, TODA HORA É HORA, BARRAR O AUMENTO!

ATO GERAL

DATA: 30/11/06, QUINTA-FEIRA

LOCAL: EM FRENTE AO TEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO - PRAÇA RAMOS DE AZEVEDO

HORÁRIO: CONCENTRAÇÃO A PARTIR DAS 16:00H

SAÍDA A PARTIR DAS 18:00H

Não podemos aceitar que a Prefeitura dessa cidade promova um novo reajuste nas tarifas do transporte coletivo. Nós, usuários deste meio de transporte, é que precisamos nos manifestar contra esta decisão absurda.

Não é justo um aumento de 15% no valor atual, sendo que o serviço prestado é de péssima qualidade. A maioria da população espera nos “horários de pico” de 30 a 40 minutos nos pontos de ônibus, quando conseguem embarcar, é em total desconforto, muitos passageiros vão “pendurados” nas portas se expondo a eventuais acidentes e uma outra grande parte vai em pé durante todo o trajeto que dependendo da situação demora de 1 a 2 horas.

Você acha que R$ 2,00 é barato??? Nós não achamos. R$ 2,00 é muito caro para as condições que se encontra o transporte coletivo dessa cidade. Um aumento é absurdo. Vamos dar um basta nessa situação! Vamos mobilizar a população para que isso não aconteça. Vamos exigir respeito para que nos respeitem como cidadãos que somos.

Estudantes, trabalhadores. Todos nós sabemos o quanto é difícil pagar a passagem. É de interesse de todos que não seja feito esse reajuste.

Vamos tomar uma providência urgente.

CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS.

FRENTE DE LUTA CONTRA O AUMENTO DAS PASSAGENS”

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Os 7 valores - Banco do Brasil

Há algum tempo, o Banco do Brasil pediu a oito renomados diretores brasileiros que fizessem curtas (de 3 minutos) para sua nova campanha publicitária: 7 valores.

O resultado foi lindo e emocionante (embora, lembremos, fosse uma campanha para um banco), e passou no intervalo da programação de TV, por uma semana.

Pois que comentei sobre o que foi feito pelo Jorge Furtado (Fraternidade) com um amigo da faculdade, e ele achou o link para os vídeos da campanha:

http://www.bb.com.br/appbb/portal/ri/ret/ValoresBrasil.jsp

Fraternidade - Jorge Furtado

O vídeo é praticamente uma continuação de Ilha das Flores. 15 anos após fazer o curta, o diretor volta à Ilha dos Marinheiros (seu verdadeiro nome) para ajudar a população local. O genial é que, ao invés de ficar falando o que é fraternidade, ele fez, e mostrou. A narração é do Paulo José (o mesmo de Ilha das Flores).

Afeto - Carla Camurati

Um filme triste sobre o afeto na ausência. É interessante, depois de assisti-lo, rever o começo.

Identidade - Fernando Meirelles e Nando Olival

Fantástico, lindíssimo. Fala das “raças” que constituem o Brasil, com base no depoimento de Darcy Ribeiro (do vídeo “O Povo Brasileiro”).

Confiança - Beto Brant

O único que achei que não se focou tão bem no tema. Não emociona muito, mas é bem feito.

Originalidade - Andrucha Waddington

É bastante original, o que não o torna tão inteligível. Achei bonito, mas não entendi muito bem.

Alegria - Daniel Filho

A estética do filme lembra demais os longas do diretor, porém o curta não é bobo. Mostra um encontro de família - genialmente um encontro de família, e um riso que brota sem ter por quê (e no entanto tendo tanto por quê!).

Conhecimento - Carlos Diegues

O curta conta com a participação de Antonio Nóbrega, e usa uma de suas músicas como base para falar do conhecimento popular. Mostra, em poucos depoimentos, a relação que se estabelece na cultura popular, de transmitir conhecimentos de pai para filho, de geração para geração.

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A morte do leiteiro

Jovem é assassinado por policiais no Rio

O entregador de pizza Bruno Ribeiro de Macedo, de 19 anos, morador da Favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio, morreu na sexta-feira, 3, tentando salvar a vida do pai. Ele foi baleado no rosto por policiais militares quando buscava socorro para levá-lo até um hospital próximo. O pai, João Rodrigues Ribeiro, de 77 anos, sofrera um derrame na casa da família, que fica na favela.

(da Rádio Jovem Pan: http://jovempan.uol.com.br/jpamnew/noticias/ultimasnoticias/#92899)

Há pouco leite no país,

é preciso entregá-lo cedo.

Há muita sede no país,

é preciso entregá-lo cedo.

Há no país uma legenda,

que ladrão se mata com tiro.

Então o moço que é leiteiro

de madrugada com sua lata

sai correndo e distribuindo

leite bom para gente ruim.

Sua lata, suas garrafas

e seus sapatos de borracha

vão dizendo aos homens no sono

que alguém acordou cedinho

e veio do último subúrbio

trazer o leite mais frio

e mais alvo da melhor vaca

para todos criarem força

na luta brava da cidade.

Na mão a garrafa branca

não tem tempo de dizer

as coisas que lhe atribuo

nem o moço leiteiro ignaro,

morador na Rua Namur,

empregado no entreposto,

com 21 anos de idade,

sabe lá o que seja impulso

de humana compreensão.

E já que tem pressa, o corpo

vai deixando à beira das casas

uma apenas mercadoria.

E como a porta dos fundos

também escondesse gente

que aspira ao pouco de leite

disponível em nosso tempo,

avancemos por esse beco,

peguemos o corredor,

depositemos o litro…

Sem fazer barulho, é claro,

que barulho nada resolve.

Meu leiteiro tão sutil

de passo maneiro e leve,

antes desliza que marcha.

É certo que algum rumor

sempre se faz: passo errado,

vaso de flor no caminho,

cão latindo por princípio,

ou um gato quizilento.

E há sempre um senhor que acorda,

resmunga e torna a dormir.

Mas este acordou em pânico

(ladrões infestam o bairro),

não quis saber de mais nada.

O revólver da gaveta

saltou para sua mão.

Ladrão? se pega com tiro.

Os tiros na madrugada

liquidaram meu leiteiro.

Se era noivo, se era virgem,

se era alegre, se era bom,

não sei,

é tarde para saber.

Mas o homem perdeu o sono

de todo, e foge pra rua.

Meu Deus, matei um inocente.

Bala que mata gatuno

também serve pra furtar

a vida de nosso irmão.

Quem quiser que chame médico,

polícia não bota a mão

neste filho de meu pai.

Está salva a propriedade.

A noite geral prossegue,

a manhã custa a chegar,

mas o leiteiro

estatelado, ao relento,

perdeu a pressa que tinha.

Da garrafa estilhaçada,

no ladrilho já sereno

escorre uma coisa espessa

que é leite, sangue… não sei.

Por entre objetos confusos,

mal redimidos da noite,

duas cores se procuram,

suavemente se tocam,

amorosamente se enlaçam,

formando um terceiro tom

a que chamamos aurora.

(A morte do leiteiro, Carlos Drummond de Andrade)

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