E o metrô partiu

A barra de ferro no vidro do metrô é a pior invenção humana, pois corta a imagem bem em sua parte mais importante. Olhei pelo vidro - via dois corpos sem nenhuma cabeça.

Abaxei-me.

A menina disse alguma coisa para o rapaz e pôs-se a sacolejar o pé rápido - tentava tirar tudo que podia dela. Rápido, rápido. E seu corpo inteiro sacolejava junto.

O moço olhava para frente com olhos lacrimosos. Ele não olhava para nada (talvez para si mesmo).

Rápido, rá-a… a menina parou de sacolejar. E disse: tudo bem. Eu gosto de te ver feliz. Se você está bem assim…

E o metrô partiu.
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Freud

Eu acho engraçado!

Entrei no UOL e a chamada era: “Justiça manda prender Freud e mais 5 envolvidos”

Imagino a notícia: comprovada a relação com sexo, justiça investiga envolvimento com a mãe dos acusados.

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Osgemeos

13/setembro/2006

Osgemeos em sua exposição na Fortes Vilaça

A dupla de grafiteiros Osgemeos tem uma carreira consolidada no mundo das artes. Já expuseram seu trabalho em galerias em Nova York, Milão, Paris, Tokio, Hong-Kong e Londres, e recentemente tiveram sua primeira exposição no Brasil, na galeria Fortes Vilaça, em São Paulo, onde receberam a mim e ao jornalista Stefano Azevedo para uma entrevista.

1. Como e quando vocês decidiram que seriam artistas?

Desenhamos desde menininhos, desde pequenos, desde crianças. Desde que a gente tinha uns sete, oito anos. Trabalhar mesmo, levar a sério pra trabalhar, a partir dos 17 anos, 18, que a gente começou a trabalhar mesmo como arte.

2. Qual é a formação de vocês como artistas?

A gente tem segundo grau como técnico de desenho de comunicação só, faculdade a gente não fez.

3. Vocês começaram com o grafite?

É. A gente começou desenhando primeiro, depois a gente passou para o grafite mais para frente.

4. Vocês já disseram em entrevista que desenham juntos desde crianças. Vocês tinham incentivo para a arte em casa?

Otávio: Sim, muito. Principalmente de mãe e pai, né… irmão, avó e avô.

Gustavo: Desenhar era uma forma que a gente encontrou de brincar também. A gente vivia brincando e desenhando, mas nada pensando em ser desenhista ou levar a coisa a sério.

5. Quando foi a primeira vez que vocês desenharam na parede, pegaram um desenho e disseram “isso é grafite”?

Gustavo: Acho que foi com uns 11, 12 anos, por aí. Pintamos a nossa casa, inteirinha. Pintamos o nosso quarto primeiro inteiro, esperamos eles [os pais] dormirem para não ver, pintamos o quarto inteiro, tudo. Eles acordaram no meio da madrugada por causa do cheiro da tinta – pintamos tudo de spray – e eles viram, já estava tudo pintado, não tinha mais jeito. E nós dormindo, lá no chão, no meio da tinta, maior cheiro…

6. E vocês não foram reprimidos?

Gustavo: Minha mãe no começo falou “faz pequenininho”. Beleza, espera ela dormir que pode tudo! Aí pintamos o quarto da minha irmã, pintamos o quintal, as casas vizinhas…

7. Por que a presença tão forte da temática da cultura popular brasileira nas obras de vocês?

Gustavo: Acho que a gente vive num país que é muito rico em cultura, e a gente sempre está ligado no que está acontecendo.

Otávio: Eu acho que o legal da cultura brasileira é o improviso, a simplicidade.

Gustavo: E acho que o fato também de viver em São Paulo, que tem tudo quanto é tipo de cultura aqui, a gente pegou isso naturalmente, de tanto ver cultura de todas as partes do Brasil.

8. Vocês atualmente são dos mais renomados (por não dizer os mais renomados) artistas brasileiros do grafite, já expuseram seus trabalhos fora, pintaram murais… e essa é a primeira vez que expõe no Brasil. Por que só agora? Como é o incentivo para a arte no Brasil?

Otávio: Não sei, acho que é um pouco diferente lá de fora, a visão do pessoal lá de fora. Eles já estão acostumados com esse estilo de exposição, de levar o grafite para galeria.

Gustavo: Aqui é novo, né…

Otávio: Aqui é meio novo, essa história toda. É a primeira vez que isso acontece. Em Nova Iorque isso acontece desde os anos oitenta.

Gustavo: Acho que é a cultura mesmo, a visão da cultura em relação a esse tipo de arte. Na rua passa despercebido, não é todo mundo que… mesmo no trânsito pára pra olhar. O cara ouve uma música, fala no celular, não está se preocupando com o que está pintado na parede, não tá. Não faz parte da cultura do povo, do povão, ter atenção para isso.

Otávio: Ou então olhar uma arte e associar uma coisa com a outra.

Gustavo: Ou então está andando na rua de repente vê um trabalho e fala “pô, esse trabalho aqui, esse cara aqui tem estilo, esse cara estudou para fazer esse tipo de trabalho no muro”, são muito poucas pessoas que vêem. Lá fora é diferente, eles têm uma atenção mais especial pra isso. Aqui está começando. Mas o legal que por exemplo a galeria aqui, a Fortes Vilaça não pegou a gente para trabalhar com eles porque a gente faz grafite, porque a gente fez grafite na rua… também! Mas devido ao nosso estilo de desenho, a ter um conteúdo o trabalho, porque a gente quer dizer alguma coisa com isso, eles tiveram esse olhar para isso. E colocaram aqui.

Otávio: Eu acho que não demorou pra rolar, tudo aconteceu na hora que tinha que acontecer.

9. Pra ser grafite precisa ter mensagem, tem que ter protesto?

Gustavo: Não, nem um pouco. Você pode deixar só o seu nome lá. Puro ego, você fazer pra você mesmo, foda-se todo mundo. Vou fazer para mim. Ou então não, você vai lá você e escreve. Qualquer coisa que você quiser escrever.

10. E o que muda para vocês ao expor em galerias?

Gustavo: Acho que nada, para a gente não muda nada. É mais um suporte que a gente encontrou de poder colocar para fora o que a gente sente, de uma forma mais tridimensional, com mais movimento, tem mais ingrediente. É um bolo mais recheado. Na rua é mais pintura mesmo.

11. E a utilização de outros materiais, o trabalho com lantejoulas, as instalações?

Gustavo: A gente começou mais em galeria mesmo, começou a fazer em galeria de arte. Porque a gente, além da figura, pode usar outras coisas também.

12. Recentemente o grafite “Os modernistas na paulista” foi recoberto de tinta como forma de protesto pela ocupação do “buraco da Paulista”. O que vocês acham disso?

Otávio: Acho legal, porque ali no túnel da Paulista sempre renovou, desde quando começaram a pintar lá

Gustavo: … desde os anos oitenta…

Otávio: … desde os anos oitenta, sempre teve essa tradição de sempre se renovar. É um espaço pra todo mundo usar, pra todo mundo pintar o que estiver afim. A gente pegou essa época lá do túnel.

Gustavo: É que aí veio esses projetos com a prefeitura de chegar e “beleza, pintamos o muro de branco e agora vamos fazer um trabalho de mural aqui e vai ficar eternamente assim”. E mesmo porque a pintura que foi feita lá, a gente é extremamente contra. Não a que está lá, a que foi feita dos modernistas.

Otávio: Não contra os artistas que fizeram

Gustavo: É, mas contra o projeto. Porque eu acho que São Paulo tem milhões de artistas bons pra caramba, assim, não só São Paulo, o Brasil inteiro, que podiam estar vindo para cá e colocar os trabalhos deles lá, o trabalho que o cara criou durante a vida dele, com estilo dele, um negócio dele, autêntico. É tirar todo mundo de bobo, porque tem muito artista bom aqui, que podia pegar um espaço desses, uma oportunidade dessas, e fazer um trabalho bacana lá. E não, pegaram e fizeram um trabalho de releitura, e ficou aquela coisa que todo mundo já sabe que existe, que aconteceu. Não renovou, sabe?

Otávio: Acho que tinha que ser um espaço pra todo mundo pintar ali, como sempre foi.

13. Tem como unir o incentivo da Prefeitura à ocupação da cidade pelo grafite, ou isso, de qualquer maneira que seja feito, acaba com a essência do grafite?

Gustavo: Algumas prefeituras já deram incentivo ao grafite, mas no nosso caso, a gente pode falar pela gente, a gente nunca dependeu de prefeitura nenhuma para fazer o nosso trabalho. A gente sempre fez, independente de qual prefeitura estivesse aí.

14. Você acha que é diferente o grafite ilegal e o incentivado pela prefeitura?

Gustavo: É muito diferente. Quando você está ilegal você tem um tempo pequeno pra fazer o trabalho e você tem que improvisar.

Otávio: A gente não liga para isso de legal, ilegal, se a gente achar um lugar para colocar o nosso trabalho a gente vai e coloca. Tem lugares que é extremamente ilegal que aí você tem que fazer muito rápido. Tem que ter um esqueminhas.

Gustavo: Mas eu acho que assim, a gente chegou primeiro do que eles. Eu digo assim, prefeituras, o grafite de São Paulo já vem há anos, e tem uma história o grafite aqui. Então não é assim, acabar com o grafite ou então… é dessa prefeitura mesmo. Essa prefeitura agora está com uma campanha de pintar a cidade inteira de cinza. Tem uma história que o cara está apagando, mas a gente está aí.

15. Vocês têm feito muitas letras, em espaços muito grandes, por quê?

Gustavo: A coisa do grafite mesmo, é legal assim, a gente sempre curtiu escrever na rua “Gêmeos”. De vez em quando a gente está afim de fazer “Gêmeos”, está afim de fazer uns desenhos. Depende do lugar, tem lugar que é mais legal você fazer uma letra do que você fazer um desenho. Na galeria assim, a gente já usa mais imagem, mais desenho, não faz letra. Não combina… para a gente letra é rua, não tem nada a ver com galeria.

16. Vocês costumam ter problemas com a prefeitura?

Gustavo: Não. Eles já tiveram com a gente, mas não a gente com eles. [risos]

17. Se pegam vocês grafitando um muro, vocês podem ir presos?

Gustavo: São Paulo é difícil você ir preso.

18. E onde que é fácil?

Gustavo: Ir em cana? Europa, Estados Unidos. Te pegou não tem nem conversa. Assim, Europa eu vou dizer Alemanha, França, que é extremamente rígido para eles.

19. Por ter um sistema assim, lá apagam mais rápido. Como é para vocês grafitar nesses países?

Gustavo: A gente sabe que quando está na rua, está sujeito a isso. Você faz um trabalho na rua, você está sujeito a qualquer coisa, e apagar é uma delas. Agora São Paulo é bem diferente, São Paulo sempre teve essa coisa de você fazer um trabalho e ele ficar, durar anos. Não tem essa campanha contra grafite, vamos apagar, vamos limpar a cidade, nunca teve. A primeira vez que está acontecendo é agora. Então eu acho que agora é a hora de a gente mostrar que a escola do grafite aqui é diferente. O mundo olha o grafite que é feito em São Paulo, e é respeitado, tem uma história, tem que preservar isso, e é isso que a gente tenta fazer.

20. Qual é o trabalho, dos que vocês fizeram, que vocês mais gostam?

Gustavo: Acho que todos!

Otávio: Todos tem uma coisa diferente. Cada um tem um estilo, uma história. Esse aqui é especial em uma coisa. Cada um é um momento que você vive.

21. Com o que você já trabalhou antes?

Gustavo: Já trabalhei em uma porrada de lugar. Banco, locadora. Mas nenhum deles deu. Não dá né, quando você vive isso [apontando obras na galeria] na sua cabeça, dentro de você, você não consegue fazer outra coisa. Você está lá imprimindo extrato, você não vê a hora de enfiar uma caneta na máquina para quebrar e falar “Ah, quebrou, vou desenhar”. Eu vivia aprontando em todos os empregos. Não dava… mas era preciso fazer, né? Precisava trabalhar, ganhar um dinheiro, pagar as contas…

22. E como está viver de arte?

Gustavo: Está bem, já trabalhamos com isso faz tempo, desde 93, 94.

23. Mas são ainda poucas pessoas que conseguem viver de grafite…

Gustavo: É. Mas é que também a gente já tem muito tempo pintando. Se bem que hoje em dia tem cara que começa a pintar um ano, dois anos, já quer fazer uma exposição, já faz uma exposição. Tem o lado bom e o lado ruim, o lado bom é que é uma oportunidade de a pessoa expor o trabalho dele em uma galeria, para vender, mas o lado ruim é que mima muito, sua criação mima, às vezes você não está maduro para fazer lá dentro, seu trabalho não está maduro. Tem uma hora certa.

24. Nos próximos anos vão aparecer mais artistas?

Gustavo: Sim. Hoje em dia é muito fácil, tem muita gente abrindo as portas para isso. E a gente tem que aproveitar, né? Quando a gente fez não tinha nada. Imagina que a gente ia expor em uma galeria aqui em São Paulo! Nunca. Você podia ter um puta estilo de trabalho, muito autêntico, mas ninguém ia ver.

25. Você acha que a arte está emergindo?

Gustavo: Esse tipo de coisa que acontece como exposição é muito especial para isso, eu acho, porque essa coisa dos jornais, das pessoas falarem que grafite entrou para galeria, grafite deixou as ruas e passou para galeria, faz também com que muitas pessoas que estão começando a pintar vejam que pintar é alguma coisa, que pintar é um sonho, isso é bom. Quando a gente começou não tinha nada. Quando a gente começou a gente só queria pintar na rua, não tinha expectativa nenhuma, e hoje em dia você pode ter expectativa, você pode acreditar que aquilo pode virar uma profissão. Eu posso ganhar minha vida com isso, fazendo o que eu gosto.

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Osgemeos - até 16/09 na galeria Fortes Vilaça

Fachada da galeria Fortes Vilaça, que abriga exposição dos grafiteiros

A exposição “O peixe que comia estrelas cadentes”, dos artistas grafiteiros Osgemeos vai até esse sábado, 16, na galeria Fortes Vilaça (Rua Fradique Coutinho, 1500 - esquina com a Purpurina).

Apesar do atraso da indicação, a exposição é imperdível - conta com telas, pinturas nas paredes (trabalhadas nos mínimos detalhes, inclusive com utilização de técnicas diversas) e duas instalações, o que forma um ambiente artístico muito envolvente.

Os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, que formam a dupla Osgemeos

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entrevista sobre grafite 06/09

Rui Amaral em seu ateliê

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adolescer com HIV

A parte boa de fazer jornalismo é o incentivo (ainda que pouco no primeiro ano) para escrever reportagens.

Projeto desmistifica o adolescer com HIV

Adolescer com o vírus HIV é tema de projeto de incentivo à participação do jovem na sociedade

Por Laura Barile

O Centro de Documentação sobre Adolescer Vivendo com o Vírus HIV (CEDOC), funciona desde o começo do ano na sede da organização Nossa Senhora do Bom Parto. Ele faz parte, junto com dois outros projetos, da rede Tecer o Futuro, que existe desde 2003, apoiada pela Unicef.

O CEDOC atende adolescentes de 15 a 18 anos e, durante três encontros semanais, pretende desenvolver o protagonismo juvenil e reduzir a vulnerabilidade dos jovens, ou seja, potencializar suas qualidades e diminuir suas fraquezas (sejam elas no campo cultural, da gramática, político, etc). Por isso nem todos os encontros são realizados no mesmo lugar: os adolescentes participam de manifestações de cunho político e social, fazem visitas a locais históricos de São Paulo, e uma vez por semana são levados a ONGs que se relacionem ao vírus, seja na área de medicamentos, publicidade ou prevenção, sempre de acordo com o perfil de cada um. O projeto também tem como objetivo documentar o máximo de informações sobre o vírus, e nesse sentido é importante que os jovens tragam suas vivências para as discussões. Dos 10 participantes do projeto, 3 são HIV negativo exatamente para que haja compartilhamento de experiências variadas.

São temas pesquisados, entre outros, os direitos dos portadores, família, prevenção, preconceito e nutrição. Cada jovem se responsabiliza por uma parte. Julio César Xavier da Silva, encarregado da pesquisa de nutrição, me mostrou que ao preparar o lanche escolhe alimentos que tendem a minimizar os efeitos dos remédios.

Durante os encontros que ocorrem no centro Nossa Senhora do Bom Parto, discutem-se questões relativas ao vírus HIV, como novas descobertas no campo da prevenção e de medicamentos, a partir de textos enviados para os e-mails dos jovens (a sala é equipada com computadores e internet). A coordenação é da psicóloga Ana Tereza, que discorre sobre os temas com surpreendente naturalidade, superando tabus em suas explicações detalhadas sobre cada assunto.

Freqüentemente o projeto é procurado por portadores que desejam saber mais sobre o viver com o vírus, e que contactam os jovens através de seu blog, utilizado para compartilhar o que é realizado por eles, desde visitas a centros de cultura até manifestações políticas e atividades realizadas na própria sede do Nossa Senhora do Bom Parto. Para os interessados, o endereço é http://cedocjovem.blogspot.com/

Na sala ao lado, alguns participantes do CEDOC ensaiavam um teatro de bonecos que apresentariam no dia seguinte. Se trata de outro projeto da rede, o Fala Sério. Por meio do teatro de bonecos (os simpáticos Guto e Carol), procura-se a conscientização de outros jovens. Carol, infectada pelo HIV, fala sobre a dúvida de contar ou não para o namorado que é portadora. No decorrer da peça, os bonecos ensinam o público a usar tanto a camisinha masculina quanto a feminina e advertem quanto aos riscos de contágio e formas de prevenção. Ao final, nenhuma conclusão. Cabe ao portador do vírus decidir se contará ou não a seu parceiro, não havendo uma regra fixa sobre isso.

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