A velhinha da Borges de Figueiredo

Já há tempos observamos essa velhinha. Cabelo branco cuidadosamente arrumado em um coque, uma certa corpulência, feições de Dona Benta. Não pede, não se aproxima, não fala.

Posta-se em uma esquina da Borges de Figueiredo e lá permanece, ora com expressão de desespero, ora simplesmente séria, trajando uma camiseta surrada e segurando uma cesta.

De imediato imaginei “é traficante!”: não pede, não sai de lá e segura uma cesta!

Uma pedinte do mesmo ponto, quando inquirida por minha mãe, disse “Ihh, essa mulher tem carro importado! A polícia até já veio aqui dar bronca nela…”

O mistério, no entanto, não está ainda totalmente desfeito quanto a ela receber doações, ou dinheiro, ou encomendas.

Curioso é que, outro dia, quando passava por lá, vi a senhora, em sua habitual camiseta furada, descer de um táxi e postar-se no lugar de sempre.

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Quanto vale ou é por quilo?

Mais uma vez Sérgio Bianchi conseguiu me emocinar. Seu novo filme, “Quanto vale ou é por quilo?”, traça um paralelo entre o período de escravidão e os dias atuais, mostrando como persiste no país a exploração.

O foco central do filme é o assistencialismo e os projetos sociais como forma de obtenção de lucros por parte de grandes empresas e de alívio por parte das pessoas. Apoiando-se em publicidade e numa grande dose de hipocrisia, pouco se ajuda de fato os carentes, em troca de lavagem de dinheiro e isenção de impostos, situação que acaba gerando mais violência nas classes mais baixas (”a ponte sobre o abismo social”).

Só achei que o filme perde um pouco a contundência ao se focar em somente uma narrativa apenas no final, após apresentar diversas histórias em que o assistencialismo aparece falho, intercaladas com relatos da escravidão. Por isso, talvez, “Cronicamente Inviável” (também do mesmo diretor) tenha me causado mais reflexões e me parecido mais consistente em suas críticas. Por outro lado é importante apresentar a questão do assistencialismo pois ela é vista ainda com muito romantismo pelas pessoas: não se percebe que a ajuda é mínima frente ao que pode ser feito e que ela só contribui para a histórica exploração dos miseráveis.

Ainda assim, o filme arrancou-me lágrimas. Não por sua beleza, não por sua contundência (um pouco sim, por se tratar de um filme com função social), mas por ter-me feito pensar, uma vez mais, que enquanto existirem aqueles que se prestam ao aproveitamento e à exploração, a situação do país não vai milagrosamente mudar. Por isso o filme me arrancou lágrimas.

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O suco de uva

Imaginem uma caixa de suco.

“Sem Conservantes” está escrito na frente.

Já em um dos lados: “INGREDIENTES: água, açúcar, suco concentrado de uva, acidulante ácido cítrico, antioxidante ácido ascórbico, aroma natural reforçado de uva, estabilizante pectina e espessante goma xantana.”

Será que sou eu que sou ignorante demais e por isso penso que antioxidante é um conservante?

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As propagandas da Folha que estão sendo veiculadas são absolutamente cretinas.

Na primeira um homem vestido de mergulhador anda desajeitado por um corredor cheio de portas, onde cada porta corresponde a uma seção do jornal. Até que enfim, ao entrar em uma sala, lê a chamada “tubarão mata mergulhador”. Corta a cena para ele em um barco, dizendo ao amigo “vai você primeiro”.

Na segunda, uma noiva percorre o mesmo caminho, e lê, em uma das salas “marido atrapalha mais carreira do que filho”. Corta para a cena do casamento, ela dizendo “não aceito”.

Só tenho a pensar: !!!!!!!!!!!!

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Fui esquecendo e esquecendo essa notícia que deveria ser colada aqui no ano passado (sabe que eu odeio as pessoas que fazem essa piadinha?): a lindíssima e por mim mais querida Conduzindo a Boiada (essa da foto do meu blog) obteve o lance mais alto no leilão da Cow Parade: 40.000 - infelizmente, não fui eu a compradora… Abaixo vai a notícia completa:

05/12/2005 - 12h08

Leilão da Cow Parade arrecada R$ 1,2 mi

da Folha Online

Não sobrou uma única vaca. O leilão da Cow Parade –que expôs mais de 80 vacas em fibra de vidro pelas ruas de São Paulo desde o início de setembro– pode ser considerado um sucesso absoluto. As 83 peças foram vendidas neste domingo, no hotel Gran Meliá, totalizando uma arrecadação de R$ 1,195 milhão.

“Conduzindo a Boiada” obteve o maior valor no leilão

O objetivo era chegar a R$ 500 mil. “Superamos todas as expectativas”, comemora Catherine Duvignau, sócia-diretora da Toptrends, empresa responsável pela organização da Cow Parade no Brasil.

Cerca de 500 pessoas foram ao evento, entre elas representantes das empresas patrocinadoras do evento (Votorantim, Pirelli, Sony, Orbital e Batavo, entre outras), nomes relacionados às artes (como Manoel Francisco Pires da Costa, presidente da Fundação Bienal de São Paulo) e compradores que preferiram se manter anônimos.

“Vaca Étnica” custou R$ 36 mil

O recorde de valor ficou com a vaca “Conduzindo a Boiada”, assinada por De Marchi. A peça, que ficou exposta na avenida Paulista, em frente ao Masp, foi arrematada por R$ 40 mil pela família Moraes, do grupo Votorantim. Do total arrecadado, R$ 1,14 milhão será destinado pela organização do evento à Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança. Duas outras instituições (Projeto Vivendo com Arte e Ten Yad) vão receber R$ 54 mil.

Na vice-liderança, com R$ 36 mil arrecadados, ficou a “Vaca Étnica”, de Adriana Banfi, que passou os três meses da Cow Parade em frente à Pinacoteca, na praça da Luz.

“Vaca Chita”, de Sinval Garcia

O terceiro lugar em valores ficou com a “Vaca Chita”, de Sinval Garcia, que chegou ao lance de R$ 35 mil. A obra ficou exposta na estação República do metrô.

O lance mínimo para cada peça foi de R$ 5 mil. As vacas ainda podem ser vistas no site http://saopaulopt.cowparade.com. Segundo Catherine, algumas poucas vacas não ficaram prontas a tempo de serem vendidas. Ela descarta, no entanto, a realização de um novo leilão.

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UFA!

- Você não vai escrever no blog que passou na PUC?

- Não.

- Ah… então sugere! (pausa) Escreve “ufa”…

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