24 de December
Há mais ou menos um mês, quando o espírito natalino apenas começava a contagiar as pessoas e, mais importante, quando o estresse das compras não as havia dominado, assistia eu à apresentação dos papais noéis do shopping Paulista.
São alguns bonecos muito bem feitos - que piscam e mexem a boca -, dispostos ao longo da árvore ao centro do shopping, que contam como surgiu a tradição natalina e a figura do papai Noel em cada lugar do mundo. Ao final da apresentação, uma música melódica se sobressai em relação aos discursos e, um a um, eles dizem como é chamado o bom velhinho em muitos lugares do mundo, com a finalização, em uma voz grave e acolhedora: foi muito bom estar aqui com vocês no shopping Paulista e, é claro, tenham todos um feliz Natal! ho ho ho - após o que novamente aumenta-se o volume da música.
Olhei ao meu redor: à minha direita, um pai, tomando-a em seus braços, desejou feliz Natal a sua filha, à minha esquerda, um casal entregou-se a um beijo. E eu, acalentada pela declaração do papai Noel e tomada arrebatadoramente pelo sentimentalismo da música, pensei: é isso que é o “espírito de Natal”.
23 de December
Mais uma vez em um ônibus
Estava um velho carrancudo e muito feio, pois tinha algum tipo de doença de pele no rosto, sentado, quando entra uma menina pequena e estridente. Para ela era uma diversão segurar a barra e esforçar-se por permanecer de pé enquanto o ônibus chacoalhava. Dava gargalhadinhas, dessas que parecem gravação.
O velho carrancudo olhou-a e abriu um simpático e sincero sorriso. Olhou-me, como a procurar alguém que também visse graça na estridência irritante da pequena menina.
Sorri de volta.
17 de December
Chego a uma constatação sinestésica: ervilha tem gosto verde.
Pode parecer ilógico, aliás, é o comentário mais estranho que já me ocorreu, mas, uma vez pensado, me pareceu absolutamente sensato. Ervilha tem gosto de verde.
Só não sei porque ninguém mais concordou comigo…
10 de December
“Deixo a vida para entrar na história”
Essa tem sido a frase da minha vida, desde que, duas semanas atrás, abandonei minha vida social e cultural para estudar toda a história desde Roma e Grécia até os tempos atuais (e penso que nunca - nem em seu contexto original, na carta-suidício de Getúlio Vargas - tal frase foi usada com tamanha propriedade).
O blog está incluído na vida.
3 de December
O menininho
Helen E, Buckley
Era uma vez um menininho bastante pequeno que contrastava com a escola bastante grande. Quando o menininho descobriu que podia ir à sua sala caminhando pela porta da rua, ficou feliz. A escola não parecia tão grande quanto antes.
Uma manhã a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer um desenho!
-Que bom! Pensou o menininho. Ele gostava de desenhar. Leões, tigres, galinhas, vacas, trens e barcos… Pegou sua caixa de lápis de cor e começou a desenhar.
A professora então disse:
- Esperem, ainda não é hora de começar! Ela esperou até que todos estivessem prontos e disse:
- Agora nós iremos desenhar flores.
O menininho começou a desenhar bonitas flores com seus lápis rosa, laranja e azul, quando escutou a professora dizer:
- Esperem! Vou mostrar como fazer! E a flor era vermelha com o caule verde. Assim, disse a professora. Agora vocês podem começar a desenhar.
O menininho olhou para a flor da professora, então olhou para a sua flor. Gostou mais da sua flor, mas não podia dizer isso… Virou o papel e desenhou uma flor igual a da professora. Era vermelha com o caule verde.
Num outro dia, quando o menininho estava em aula ao ar livre, a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer alguma coisa com o barro.
Que bom! Pensou o menininho. Ele gostava de trabalhar com barro. Podia fazer com ele todos os tipos de coisas: elefantes, camundongos, carros e caminhões. Começou a juntar e amassar a sua bola de barro. Então a professora disse:
- Esperem! Não é hora de começar! Ela esperou até que todos estivessem prontos.
-Agora, disse a professora, nós iremos fazer um prato.
Que bom! Pensou o menininho. Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos. A professora disse:
- Esperem! Vou mostrar como se faz. Assim, agora vocês podem começar. E o prato era um prato fundo.
O menininho olhou para o prato da professora, olhou para o próprio prato e gostou mais do seu, mas ele não podia dizer isso. Amassou seu barro numa grande bola novamente e fez um prato fundo igual ao da professora.
E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e a fazer as coisa exatamente como a professora. E muito cedo ele não fazia mais coisas por si próprio.
Então, aconteceu que o menininho teve que mudar de escola. Esta escola era maior ainda que a primeira. Ele tinha que subir grandes escadas até a sua sala.
Um dia a professora disse:
- Hoje nós vamos fazer um desenho
Que bom! Pensou o menininho e esperou que a professora dissesse o que fazer. Ela não disse. Apenas andava pela sala. Quando veio até o menininho perguntou:
-Você não quer desenhar?
-Sim, o que nós vamos fazer?
-Eu não sei até que você o faça
- Como eu posso fazê-lo?
-Da maneira que você gostar
-E de que cor?
- Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber qual é o desenho de cada um?
-Eu não sei! Respondeu por fim o menininho e começou a desenhar uma flor vermelha com o caule verde.
***
É um pouco como eu me sinto tendo terminado o colégio.