Modificada a foto do blog, de ferros para sementes. Depois de uma trilha no PETAR (Parque Estadual Turístico Alto da Ribeira - ou algo bem parecido), passamos por uma casinha, ao lado de um riacho onde nadavam algumas crianças. As sementes da foto lá de cima estão nesse pano branco, secando ao sol.

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Acabo de assistir a “Casa de Areia”, filme brasileiro ambientado nos Lencóis Maranhenses, entre 1910 e (pelos meus cálculos) a década de 70. Como já me havia parecido pelo trailer, a narrativa é lenta (que isso não se confunda com falta de ação) e há a tentativa constante (e sem muito sucesso) de explorar a beleza natural do local para uma boa fotografia. Porém, a pouca iluminação, que garante a beleza de algumas cenas, acabou por deixar outras muito escuras e por vezes ininteligíveis.

Agora o que a mim pareceu o absurdo maior (opinião não compartilhada pelas pessoas que assistiram ao filme comigo) foi a reciclagem de atores, uma vez que, ao envelhecer, a personagem de Fernanda Torres passava a ser interpretada pela Fernanda Montenegro, e a Fernanda Torres assumia outro papel. Até que no filme não ficou tão confuso, mas que me pareceu absurdo, me pareceu.

No fim, achei o filme sem sal. Nem bom, nem perda-total-de-tempo-em-uma-quinta-feira-à-noite.

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Outro dia, pela janela do carro, vi um menino nos ombros de (eu suponho) sua mãe, com um balão bem grande do Nemo nas mãos e um sorriso gigante no rosto. Concluí imediatamente que aquela era a criança mais feliz do universo, e isso me fez muito bem. Quem nunca insistiu para que os pais comprassem os balões (caríssimos) de bichinhos e se sentiu absolutamente completo ao recebê-lo? É relativamente fácil fazer as crianças felizes.

Reclamaram, exigiram, demandaram que eu colocasse mais fotos no blog. Pois antes, que vá uma breve explicação (caso contrário seria esse um blog fotográfico). Sempre fui louca por reflexos, e desde muito tempo tiro fotos de todas as superfícies refletoras que encontro. Outro dia, enquanto acompanhava minha mãe em uma loja na Liberdade, me deparei com uma panela. Chamei minha irmã, apontei, disse algo como “lindo”, preparei a câmera, e foi aí que uma senhora (à esquerda) começou a pedir auxílio à lojista (à direita), em japonês. Esperei. Esperei. Aí cansei e tirei a foto:

E não é que saiu melhor com elas? (atrás de mim é a Tatu)

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Próxima postagem: quinta-feira.

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De volta de Serra Negra. As coisas fazem tão mais sentido quando eu estou de férias! Tenho muito mais tempo para dormir, para analisar situações, para ler, para discutir. E parece que tudo no mundo faz mais sentido. Taí, criada uma teoria sociológica: o mundo seria muito melhor se as pessoas vivessem de férias (é, talvez elas não estejam me fazendo tão bem assim).

Em Serra Negra há muitas lojas que vendem licores, queijos, doces de leite, suspiros e oferecem prova de “Marula”. Me divirto por demais com as cores das coisas lá dentro.

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Absurdos do mundo moderno

Mixirica Ponkan s casc”

“Abacaxi Pérola descascado” - e embalado em plástico

Ah, bons tempos aqueles em que as frutas davam no pé…

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Férias… nem sei se devo pedir perdão pela falta.

Por falar em férias, resgatarei os posts de férias que nunca foram escritos, descritos ou ilustrados por completo: voltemos à Argentina!

No dia em que fomos ao zoológico (de repente o passado volta à minha mente como um filme, em flashs vivos e coloridos). Faço uma pausa para uma reflexão.

Tudo bem, clichê é clichê, brega é brega, repetitivo é repetitivo, mas as pessoas adoram sentir-se envoltas pelo brega. Daí o sucesso dos filmes românticos, ou a idealização do amor com mil rosas roubadas e tudo mais. É brega, mas gostam. Até por isso gostam.

Onde estava mesmo? Ah sim, nos flashs vivos e bregas, digo, coloridos. Encontramos, em uma das inúmeras praças próximas ao zoológico, um senhor com sua enorme máquina lambe-lambe.

Pedimos uma foto, o que permitiu que eu tirasse fotos daquele passado tão presente, e que minha mãe lhe fizesse perguntas sobre sua profissão. Tinha ele também uma polaroide, com a qual disse enganar as pessoas, uma vez que não fazia nada além de apertar o botão.

Minha mãe lhe perguntou se o ácido no qual ele mergulhava a ponta dos dedos (sem luva nem nada) para molhar a foto não lhe fazia mal. Respondeu que já estava acostumado.

Por fim colocou a foto, de ponta cabeça, em um pedestal, se não me engano para tirar uma foto da foto.

Só de pensar no custo, no tempo para sair uma foto, no trabalho, na imobilidade da câmera e, principalmente, na qualidade da foto eu fico abismada. Não é incrível pensar como as máquinas fotográficas evoluíram?

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Estava entediada e o melhor que tinha a fazer era respirar um pouco de ar poluído. Avistei uma velhinha sentada à frente de um prédio, segurando sua bengala.

Ela deveria estar na mesma situação que eu, entediada, decidiu descer… talvez a única ligação dela com o mundo fosse ver a movimentação das pessoas, já que não podia sair e andar sozinha. É isso, ia sorrir para ela.

Tal qual Amélie Poulain, ajudaria o mundo, contagiaria uma pessoa com minha simpatia, melhoraria a vida de alguém. Há algum tempo me convenço de que pode haver contato entre pessoas desconhecidas em cidades grandes.

Cheguei mais perto, sorriso hesitante, falei “boa tarde”, em alto e bom tom. Em retribuição, a velhinha me olhou com o olhar daqueles que praguejam. Daqueles que odeiam. Daqueles que, provavelmente, não querem ouvir “bom dia” porque, afinal, o que há de bom para o dia?

Fiquei assustadíssima. Comecei a andar mais rápido, imaginava a velhinha atrás de mim, bengala erguida no ar (e como imaginei ela rápida!).

Não, Laura, o mundo não é bom.

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