O problema dos elevadores é que o tempo de se ir de um andar a outro não é suficientemente grande para se iniciar uma conversa nem suficientemente curto para que a situação não seja incômoda.
26 de June Fotos! Fotos. Fo-tos?

Hipopótamo do zoológico de Buenos Aires/ 2004
Decidi que iria mudar a foto do blog de tempos em tempos. Melhor, de poucos em poucos tempos. Até com direito a repetição, quem sabe?
Decidi que ia começar pelos ferros que fotografei no chão da Av. Paulista, durante a montagem de um palco (talvez para o dia do trabalho, não me lembro). Decidi colocar o hipopótamo garoto propaganda da Colgate - reparem no sorriso - (anunciado aos chegados como sendo o principal candidato para a nova foto do blog) no post que comentasse as mudanças.
Foi aí que, depois de inúmeras tentativas, decidi colocar como título uma adaptação à frase dos Saltimbancos (”Vitória! Vitória. Vi-tória?”) em suas três entonações, para mostrar o quão empolgada estava, o quão indiferente me tornei e por fim o quão incrédula terminei, em relação à minha incapacidade de mudar a foto.
Depois, com mais calma, arrumo a sobreposição da imagem no escrito.
24 de June De quem é a lã?
Estava em pé no metrô, situação São Paulo de sempre: pessoas desconfiadas, absolutamente sérias e olhando feio umas para as outras, quando um homem, também de pé, ergue na mão um novelo de lã, perguntando em voz alta e como se essa fosse a frase mais comum do universo: “de quem é a lã?”.
A mobilização foi geral, o homem com a lã, de costas para a porta, o homem de frente para ele e a meu lado, as pessoas sentadas de frente para mim, todos procurando de onde havia rolado o novelo. Nada mais óbvio, “é só seguir a linha!”, disse eu. O homem sentado à minha frente tinha a linha verde pela frente de seu pé esquerdo, a moça a seu lado viu a linha passada pelo seu outro pé, e também a terceira senhora, sentada de frente para o perfil dos dois, e conseqüentemente a meu lado esquerdo. De costas para a mobilização, uma velhinha que tricotava com a linha verde voltou-se, um pouco atrapalhada, para ver o que ocorrera. Logo abaixo dela, no chão, a sacola aberta - escancarada - de onde rolara o novelo. Aí sim, quando o problema parecia resolvido, começou a parte mais difícil. O homem de pé agachou-se e desviou a linha da barra de ferro, passando-a, próxima ao chão, ao homem sentado, que a passou, por trás de seu pé direito, para a mulher a seu lado. Atrapalhada por estar sentada, ela demorou um pouco mais com a linha, que se enroscara em suas duas pernas, passando pelos saltos de suas botas. Ao seu lado, a mulher sentada de costas para a velhinha já aguardava sua vez de pegar o novelo, que ainda teve que ser desviado de outra barra de ferro antes de voltar para a sacola.
Ao fim, como se aquilo não fosse mais um metrô, como se não mais fosse São Paulo, os envolvidos pelo trajeto olharam-se e sorriram.
Minha irmã vem e me conta: hoje eu estava voltando do curso de desenho e eu vi o cachorro mais lindo. Era ‘tipo’ um labrador, ele era grande, inteiro bege. Deu vontade de levar ele para casa, e olha que eu nem gosto de cachorro. Aí eu ia andando e ele foi me seguindo e quando eu parava ele parava e ficava me olhando, assim…!
Imagino o cachorro chegando em casa: puxa, hoje eu vi uma humana, ela era linda, grande, loira e eu ia andando, ela ia junto, aí ela parava e me olhava com uns olhos azuis! - eu parava e ficava olhando, né, claro - deu vontade de trazer ela aqui pra casa… e olha que eu nem gosto de humanos!
Acaba de acontecer algo incrível.
Estava eu em minha caixa de e-mails, deletando os comentários sobre pôquer e cassinos deixados no blog (que vão direto para minha caixa de e-mail, para quem não entendeu), quando me deparo com um comentário curioso. Curiosíssimo. Ou incrível, até. Foi deixado em um post de setembro do ano passado, em que comentei o adesivo que há nas lotações sobre a proibição do uso de aparelhos sonoros, e diz-se uma resposta da SPTrans. Como assim? Pois vejam:
“Nome: Rogerio
Comentário:
RESPOSTA DA SPTRANS - CONIVENTE
Conforme a área responsável, informamos que de acordo com a Lei 6.681 de 21 de Junho de 1965, a proibição do uso de aparelhos sonoros ou musicais aplica-se aos usuários do Sistema de Transporte Coletivo de Passageiros do Município, e não ao prestador desse serviço, pois a interpretação que se fez da lei é que a sua intenção foi a de poupar os demais passageiros de um inconveniente auditivo provocado pelo efeito de várias rádios sintonizadas nas mais diversas estações emissoras. No entanto os operadores são orientados, que sejam moderados quanto a utilização de som no interior do veículo,pois na constatação de abusos referente a volume acima do aceitável, bem como músicas que ofendam a moral esta SPTrans estará tomando as medidas corretivas.”
Explicada a história dos aparelhos sonoros, já que não sabia a quais aparelhos a lei se referia exatamente. Agora já sei que é aos rádios (é da época em que as pessoas andavam com radinhos de pilha).
E também agora já sei que o dono da lotação pode sim deixar o rádio dele ligado (e eu não tenho nada a ver com isso).
Mas surge outro mistério. Um mistério maior e difícil de ser explicado: quem é Rogério, o que ele quis dizer com “RESPOSTA DA SPTRANS” e, principalmente, como teria ele caído em meu blog, nove meses depois de postada a “crítica/dúvida”?
O máximo que tinha acontecido por aqui foi o Fernando Vivas, fotógrafo, ver, seis meses após a postagem, um elogio meu às suas fotos.
Ó Google, ajudaste-me mais outra vez.
O post: Se a vida te der limões…
20 de June Tudo por um trocadilho
Os físicos são tão prepotentes que chegam a pensar que se a física não existisse as maçãs não cairiam mais na cabeça das pessoas, quando na verdade é fato suspeitado que daqui a uns 500 anos surgirão teorias que farão cálculos como a gravidade caírem por terra.
14 de June Consegui fazer a foto funcionar!
Corrijo-me, ou melhor, melhoro-me: excessivamente repetitiva é uma expressão excessivamente repetitiva.
Sempre fico em dúvida quanto a usar frases de outras pessoas, mudando seu sentido original. Sinceramente não sei se me sentiria homenageada ou ofendida por ver minhas palavras em um texto, defendendo idéias alheias às minhas. E principalmente não sei como os outros se sentiriam… difícil.
E não, prefiro pensar que, ao invés de um post com idéias desconexas, é um post seccionado em idéias completas e sem relação entre si. A começar pelo título.
8 de June Uma dica rápida
Achei genial, aliás, genialíssimo (não poupo superlativos a ele) um dos filmes selecionados pelo Festival do Minuto 2005.
“Retoque Final” é sobre como a informatização das fotografias está acabando com o trabalho de José Camilo das Chagas, retocador fotográfico. O especial? O filme tem um minuto exato.
É um documentário com informações completas, uma fotografia lindíssima (em preto e branco e com ângulos perfeitos) e de apenas um minuto de duração.
Sabe, quando eu crescer quero ter capacidade de fazer documentários assim.
O link: Selecionados Festival do Minuto 2005 -é o primeiro documentário da lista (da foto em preto e branco).
Tenho uma teoria de que uma pessoa sabe que é amiga de verdade de outra quando um silêncio ao lado dela não é constrangedor. Porque quando não se conhece bem uma pessoa, sente-se aquela obrigação sufocante de puxar algum assunto. É isso que explica as pessoas conversarem sobre o clima, por exemplo. Ou, pior, ao verem-se incapazes de externar um comentário (suas mentes procurando “o que eu posso falar? O que eu posso falar?”), abrirem um sorrisinho tímido, indeciso quanto a tornar-se um sorriso ou fechar-se em uma expressão natural. Aquele sorrisinho bobo de quando não se tem o que falar. E convenhamos que a expulsão urgente de ar -que decididamente não pode ser chamada de suspiro- enquanto se força o sorrinho-da-falta-de-assunto de nada ajuda para o início de uma conversa.
Já com um amigo de longa data, pode-se permanecer horas em silêncio. E nem assim se corre o risco do dia de chuva (”mas o clima de São Paulo é maluco, não é mesmo? Ontem mesmo estava fazendo o maior calor!”) ou do sorriso constrangido: na última das opções surgirá um assunto interessante.