Et coetera

Estranho, etc. é uma palavra que só existe como abreviação. Etc. escrito por extenso é “e por aí vai”, ou “entre outras coisas”, quando exige a Formalidade, batendo seu pesado pé no chão instável das letras, as fazendo planarem assustadíssimas por alguns segundos, até que encontram o Sr. Emprego, que, já de prontidão com seu assistente Correto, dá-lhes instruções. E etc, etc, etc.

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Achei a resposta para a fome mundial.

E não poderia ser menos bombástica a afirmação em meu título.

Pensem em 10 pães. Dividam-nos por 3 pessoas: 3,333333…

E eis que os pães não acabam nunca. E não para-se nunca de comer pães.

Certo que me colocaram como questão que a fome não existe por falta de alimento, há inclusive aquela estatística assustadora de que o mundo produz o dobro de comida necessária à alimentação de todos, e ainda assim há os que morrem de fome. Pois a resposta é simples: ao invés de dividir os 10 pães por 3 pessoas, divida-os por 3 dias. Continuam, como dízima, sendo eternos. A partir de uma pequena quantidade de comida come-se por toda a vida (com direito a rima e tudo).

Ou isso ou a matemática está errada.

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“O tempo rodou num instante (…)”

Cena (e foto do cartaz) do filme Cabra-Cega

Ontem assisti, na estréia, ao filme Cabra-Cega. É excelente. Cotação máxima em estrelinhas.

Não sei se ainda estou digerindo o filme ou se penso que o melhor é que assistam a ele com o mínimo de informação possível sobre o enredo, mas escrever uma sinopse me pareceu tão desnecessário! É sobre a época de ditadura militar no Brasil (se passa mais especificamente no início da década de 70), pronto.

O incrível foi como o diretor, Toni Venturi, conseguiu dosar informações sobre a tortura, a esperança revolucionária, ternura e humor, sem tornar-se óbvio ou excessivamente dramático-sentimental, ainda mais porque esse não é um tema inédito no cinema nacional, é só lembrar do indicado-ao-Oscar “O Que É Isso, Companheiro?”. Os dois filmes inclusive trilham um caminho bem parecido, mas “Cabra-Cega” pareceu-me muito mais denso, ou, talvez seja isso, menos comercial. Merecem destaque a atuação excelente de Leonardo Medeiros, que interpreta Tiago, personagem central da trama, e que, precisava comentar isso, é o ator que interpreta o diretor Paulo do programa Galera, da Cultura (e nunca se imaginaria, pelo programa, que ele se sairia tão excepcionalmente bem interpretando um militante da luta armada brasileira) e a trilha sonora, feita pela Fernanda Porto e composta por diversas músicas do Chico Buarque e outras tantas de MPB, que combinam perfeitamente com o ritmo de cada cena.

Uma coisa interessante é que antes de começar o filme apareceu que ele foi vencedor de um prêmio de baixo orçamento. Não digo que não seja perceptível em alguns closes bruscos e em alguns momentos na movimentação de câmera, mas os enquadramentos de cena e os ângulos são ótimos, e o filme passa muito longe do que se espera de um filme com baixo orçamento.

Recomendadíssimo, só infelizmente está em poucos cinemas…

Site oficial: http://www.cabracega.com.br

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É proibido tirar fotografias!

Sábado fui a um show do Arnaldo Antunes ótimo no SESC Vila Mariana. Certo que antes teve um show da Daúde que, me perdoem seus fãs, achei chato.

A apresentação do Arnaldo foi uma reprise do show de divulgação do CD “Saiba”, que eu vi no Directv Music Hall ano passado, tirando e pondo, mas foi. Só que dessa vez eu fui até a beirada do palco vê-lo mais de perto.

Arnaldo Antunes durante o show

E todas as opiniões que posso dar aqui são de fã, portanto desisteressantes.

Antes de ir embora, gostaria de lançar uma afirmação: muzzarela é uma pizza muito chata. Muito básica, muito simples, muito queijo sobre massa. Chata.

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Viva! Padronize!

Os alunos saem do colégio achando que, como as dissertações e parágrafos que têm que fazer, tudo na vida é padrão. E as coisas realmente são padrão. Deveria ter pensado nisso antes, afinal, o que é a escola senão uma grande reprodutora dos valores da sociedade? Ainda que sejam valores engessados. Ou de engessamento.

Na minha prova de inglês hoje caiu um texto (para resolução de alguns testes), que argumentava que é impossível que escola e criatividade andem juntos, partindo de uma frase de Einstein, que dizia que um cientista, por nunca ter ido à escola, tinha preservado o raro dom de pensar livremente, fato ao qual ele atribuia a criatividade do cientista. E o texto conseguiu, de forma absurda, usar isso para defender o modelo das escolas, dizendo que a frase é verdadeira, mas que a função da escola é civilizar, não formar exploradores, que seriam os criativos, que percebem o mundo de forma diferente e não seguindo padrões. Padrões esses que são, segundo o texto, responsáveis pela unidade e, portanto, bom funcionamento da sociedade.

Pois rebato: se na escola os alunos fossem ensinados a respeitar diferenças, chegando a consensos flexíveis e discutíveis de forma crítica, a unidade seria mantida, e a sociedade seria muito mais livre e criativa. Chamem-me de utópica, mas acho que não se devem confundir regras sociais gerais e respeito de diferenças, o que permite o “livre exercício da criatividade”. A questão central é: se a escola é uma mera reprodutora de valores da sociedade, então para o ensino mudar a sociedade tem que mudar. Mas a base para que a sociedade mude é o próprio ensino.

Outra falha revoltante é o fato de os alunos serem ensinados a escrever textos como se a tese passada fosse uma verdade ou uma opinião generalizada, e não a opinião do autor. Isso como é no jornalismo. E por dois motivos, o primeiro, persuadir o leitor. Fazê-lo de fato crer que o que está sendo passado é uma verdade, ou que, no mínimo, é o que todo mundo pensa. O segundo é que, na sociedade padrão em que vivemos, aquele que assume sozinho uma opinião crítica é mal visto. A não ser, é claro, que seja alguém muito importante para escrever “eu acho” e “na minha opinião” e ainda assinar a crítica com o próprio nome, como é o caso dos cronistas.

Os alunos deveriam escrever textos empregando verbos na primeira pessoa do singular e assumindo o “Eu”, ao mesmo tempo em que seriam ensinados a não menosprezar idéias que não fossem apresentadas como pertencentes ao senso comum. Isso talvez fosse útil para a despadronização, ao menos escrita, do nosso país.

Laura Barile.

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Proibi os comentários no blog. Foi uma medida de desespero, e também desesperadora, mas é o único jeito que vi para diminuir a quantidade de comentários sobre sites de “poker” e remédios. Daqui a um mês devo permiti-los novamente.

Calçado não deveria significar “com sapato”. Deveria significar “com calças”, oras, nada mais lógico.

Uma pergunta: a expressão achar o x da questão veio da resolução de problemas algébricos?

Já perceberam que a maioria dos ditados populares são metáforas com animais? Quem não tem cão caça com gato, mais vale um pássaro na mão do que dois voando, de cavalo dado não se olham os dentes, uma andorinha só não faz verão, peixe morre pela boca, cão que ladra não morde, em boca fechada não entra mosca, de grão em grão a galinha enche o papo, e por aí vai…

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