Já tentou xingar alguém de goiaba? Soa meigo, não é? Agora pense em medíocre. Você é medíocre! Entra pelo corpo (nem pelos ouvidos), entope os poros, atinge a corrente sangüínea, toca no coração pulsante, quando aí sim os ouvidos se dão conta do que foi dito e a voz interna repete: medíocre…

É tudo questão da sonoridade da palavra, não de seu significado. Xingar alguém de “crepúsculo” tem a mesma força que xingar alguém de “crápula”.

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Fragmentos de idéias - palavras

(Haja originalidade para criar esse título maravilhoso)

Adoro palavras que remetem a ações. Acavalado, por exemplo. Sempre penso em um monte de cavalos que, não podendo parar após uma freada brusca, acabaram “encaixando” uns nos outros, encavalados.

Tem expressões que dizemos e nem paramos para pensar o quão ridículas são. Duvideo-dó. Já pararam pra pensar? Como virou comum dizer “duvideo-dó”? E o pior é que é uma delícia falar. Todas as palavras deveriam ter correspondentes com repetições silábicas, não achea-chão?

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Achei que era hora de tomar vergonha na cara e escrever no blog.

Outro dia ouvia ao toque do telefone e percebi que ele não incomoda. Ele foi feito para incomodar. Se não não notaríamos e não responderíamos à chamada. Mas convenhamos que ouvir um telefone tocando insistente e incessantemente é horrível. Quem aqui nunca teve a impressão de ouvir o telefone tocar depois de ele ter parado? O som deve se alojar em algum espaço vazio do cérebro, e fica ecoando até que se cansa, e antes de antingir outro ponto acústico para propagar-se, pára.

Por isso, exatamente, que os toques de celular fazem tanto sucesso. Poucos são aqueles que ainda preferem ouvir os velhos toques convencionais ao invés de melodias.

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