28 de February Ônibus 174
Ontem assisti a “Ônibus 174″, documentário brasileiro sobre o seqüestro de um ônibus, ocorrido no ano 2000, no Rio de Janeiro, que terminou tragicamente com a morte de uma das reféns por um policial.Gostei muito do filme pois esperava que fosse tratar do crime em si, da tensão dos passageiros-reféns, da situação em que se encontravam os policiais, de como o crime começou e terminou. O documentário mostra, porém, todos esses elementos traçando um paralelo entre eles e toda a vida do seqüestrador.Partindo da trágica história de vida de Sandro, o filme formula uma crítica sobre a grande questão dos meninos moradores de rua do Rio de Janeiro e sobre os maus-tratos em cadeias e supostas instituições educativas do governo. E isso, incrivelmente, sem cair na melodramaticidade dos discursos deterministas (fez porque é pobre, favelado, sozinho no mundo, ainda por cima ficou mais revoltado nas instituições pelas quais passou e deve ser perdoado).Além de mostrar a tia e a pseudo-mãe de Sandro, o filme também conta com depoimentos dos reféns, de uma mulher que presta assistência social a meninos de rua com algum tipo de projeto e convivia com ele, de um… talvez psicólogo que expõe uma boa teoria quanto à invisibilidade dos moradores de rua, de um integrante da polícia e de um jornalista. Enfim, de todos que presenciaram o ocorrido. Como deu para perceber um dos problemas do filme (bem apontado pela minha irmã), é que ele não mostra legendas durante as entrevistas, sendo assim não sei dizer quem era quase ninguém.Sei que aspectos técnicos não interessam muito à maioria das pessoas, principalmente em documentários, mas não custa dizer, a fotografia é muito boa.Acho sinceramente que vale a pena assistir, pois apesar de no fundo, no fundo ele despertar dó quanto ao seqüestrador (e talvez seja sua intenção), o filme gera uma reflexão social no espectador.O filme me lembrou, não lembro em que parte nem o porquê, o discurso do prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia, que foi veiculado por algum tempo em forma de propaganda política. Ele dizia que os índices de violência na cidade do Rio de Janeiro só iriam melhorar se ele colocasse o exército nas ruas. Afirmação que me deixou assustadíssima. Seria uma solução imediata e violenta, mas não definitiva nem boa em nenhum sentido. E no mínimo incoerente (vamos conter a violência com mais violência). Outra coisa que não consegui parar de pensar quando vi a propaganda foi que, sendo o exército obrigatório, muitos de seus integrantes não gostariam de estar ali. Imaginem ser mandado para matar bandido. Matar mesmo. Ou acham que vão conter o crime como, com a política do medo?



