Ônibus 174

Ontem assisti a “Ônibus 174″, documentário brasileiro sobre o seqüestro de um ônibus, ocorrido no ano 2000, no Rio de Janeiro, que terminou tragicamente com a morte de uma das reféns por um policial.Gostei muito do filme pois esperava que fosse tratar do crime em si, da tensão dos passageiros-reféns, da situação em que se encontravam os policiais, de como o crime começou e terminou. O documentário mostra, porém, todos esses elementos traçando um paralelo entre eles e toda a vida do seqüestrador.Partindo da trágica história de vida de Sandro, o filme formula uma crítica sobre a grande questão dos meninos moradores de rua do Rio de Janeiro e sobre os maus-tratos em cadeias e supostas instituições educativas do governo. E isso, incrivelmente, sem cair na melodramaticidade dos discursos deterministas (fez porque é pobre, favelado, sozinho no mundo, ainda por cima ficou mais revoltado nas instituições pelas quais passou e deve ser perdoado).Além de mostrar a tia e a pseudo-mãe de Sandro, o filme também conta com depoimentos dos reféns, de uma mulher que presta assistência social a meninos de rua com algum tipo de projeto e convivia com ele, de um… talvez psicólogo que expõe uma boa teoria quanto à invisibilidade dos moradores de rua, de um integrante da polícia e de um jornalista. Enfim, de todos que presenciaram o ocorrido. Como deu para perceber um dos problemas do filme (bem apontado pela minha irmã), é que ele não mostra legendas durante as entrevistas, sendo assim não sei dizer quem era quase ninguém.Sei que aspectos técnicos não interessam muito à maioria das pessoas, principalmente em documentários, mas não custa dizer, a fotografia é muito boa.Acho sinceramente que vale a pena assistir, pois apesar de no fundo, no fundo ele despertar dó quanto ao seqüestrador (e talvez seja sua intenção), o filme gera uma reflexão social no espectador.O filme me lembrou, não lembro em que parte nem o porquê, o discurso do prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia, que foi veiculado por algum tempo em forma de propaganda política. Ele dizia que os índices de violência na cidade do Rio de Janeiro só iriam melhorar se ele colocasse o exército nas ruas. Afirmação que me deixou assustadíssima. Seria uma solução imediata e violenta, mas não definitiva nem boa em nenhum sentido. E no mínimo incoerente (vamos conter a violência com mais violência). Outra coisa que não consegui parar de pensar quando vi a propaganda foi que, sendo o exército obrigatório, muitos de seus integrantes não gostariam de estar ali. Imaginem ser mandado para matar bandido. Matar mesmo. Ou acham que vão conter o crime como, com a política do medo?

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Tantos posts citando fotos que parece até um blog fotográfico. Não é.

Outro dia, via com raiva profunda uma fila de formigas (richa pessoal), quando veio-me à cabeça uma teoria. É um fato que formigas transmitem informações através das anteninhas, mas reparando bem a transmissão não é sempre igual, mesmo as formigas sendo consideradas animais tão mecânicos e organizados.

Pois explico-me melhor: a primeira observação é que nem todas as formigas comunicam-se com todas as formigas, a segunda é que a duração da transmissão de mensagens varia muito de formiga para formiga. Daí eu ter concluido que a ciência está de todo errada.

As formigas, na verdade, não trocam informação: elas se cumprimentam, como os humanos, só que encostando as antenas ao invés de dar beijinhos. Algumas demoram mais, param, perguntam como vai a família (”e seu sobrinho, vai ser operário?”), outras, dada a pressa ou a falta de intimidade, apenas encostam as antenas rapidamente, como um “oi, tudo bom?” humano. Essa é a maioria. A terceira parte, que não se conhece, passa, em fila, sem se cumprimentar.

Como a biologia não pensou nisso antes? Está lá, é só reparar.

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Argentina ou Brasil?


Menino fazendo malabares- Julho/2004 - Buenos Aires/ Argentina

Esse era para ser o post de chamada para o site de fotos da viagem que fiz para a Argentina, mas como já fazem quase sete meses que viajei, com uma virada de ano nesse meio tempo (literalmente meio tempo, se considerarmos que seis meses é metade de um ano), resolvi escrevê-lo agora, antes que a miséria deixe de existir e ele se torne ultrapassado. Uma piadista ou uma eterna sonhadora, decidam-se sozinhos.

Estava em um ônibus, no passeio organizado rumo ao MALBA (Museo de Arte Latina de Buenos Aires), quando avistei um menininho, em frente a um carro, fazendo malabarismo. Pequeno, habilidoso, cara triste. Achei que fosse moda só no Brasil! Comecei a tirar fotos dele ao longe, quando o menino também me avistou. Turista, surpresa, câmera na mão. E veio fazer malabarismo na minha janela, com um sorrisão no rosto.

Terminou, abriu o farol, o ônibus para sair e eu descobri que minha janela não abria. Voltou a cara triste do menino, mãozinha estendida, eu em desespero tentando abrir o vidro que não tinha sido produzido considerando-se os pedintes. Fiz sinal de que entregar-lhe as moedas era impossível, o menino fez cara de bravo, deve ter dito algo bravo, e foi embora.

Achei incrível que esse tipo de subemprego, logo com malabarismo, exista aqui e lá. Porque achar incrível que exista apenas, hoje em dia já não é normal.

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World Press Photo

Já viram as fotos selecionadas pelo World Press Photo? O primeiro lugar na categoria General News é de um brasileiro do O Estado de São Paulo, lindíssima foto aliás. Mas tem umas que eu não concordo nada com a classificação (em minha posição de quem não sabe julgar fotografias a partir de aspectos técnicos mas gosta de vê-las), a que eu discordei mais foi o primeiro lugar de “stories” em “Arts and Entertainment”, achei a foto nada, e as do segundo e do terceiro lugar são maravilhosas (principalmente a do terceiro).

Site: World Press Photo

Direto no álbum de vencedoras: Winners Gallery

Assim que tiver tempo posto com teorias, reflexões gramaticais e uma foto que está separada para um post desde julho…

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Outro dia mesmo, dia 31 de janeiro, fui ao show da banda de Pífanos de Caruarú. Dessa vez cheguei a levar a máquina, mas ó destino cruel, estava sem bateria. Daí ter eu tirado algumas poucas fotos, das quais quase nenhuma ficou boa.

Reparei na viagem que fiz agora a São Luiz do Paraitinga (em que, aí sim, esqueci a máquina digital), que não sei tirar fotos com filme. Estou totalmente acostumada a tirar várias fotos até sair do jeito que eu imaginei. Difícil se desvincular disso, o que é necessário, já que na máquina com filme, não só o filme, mas a revelação são caríssimos. Quando revelar as fotos coloco algumas aqui.

Mas o assunto central do post nem eram as máquinas, nem tampouco o show. No caminho ao show, um homem subiu no mesmo ônibus que eu, e após pagar a passagem, apoiado instavelmente num banco de frente ao cobrador, começou a tocar três instrumentos ao mesmo tempo.

Um de sopro, um de cordas e um de percussão (um chocalho em sua mão, que marcava o tempo conforme a batida do violão).

Torci para a máquina não falhar, para a bateria durar apenas mais alguns segundos. Felizmente durou.

O cobrador, até então carrancudo e sério, animou-se com a música e abriu um sorriso, rapidamente escondido ao ver minha máquina mirando-o. Fingi que tinha mudado o ângulo, virei a máquina bem para o músico e o cobrador voltou a sorrir. A foto não saiu muito boa, mas vale para ilustrar a sensação incontrolável de simpatia do cobrador, que na verdade eu também experimentava.

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“Tô me guardando pra quando o carnaval chegar”

Certo, não é verdade que não escrevo por motivos carnavalescos. Nem escreverei durante o feriado, mas achei um bom título para o post (até porque é um trecho de uma música do Chico Buarque, “Quando o carnaval chegar”).

Foi por uma sucessão de fatos e cansasos que não escrevi no blog. Mal toquei no teclado ultimamente. E tenho mais de um post em mente, garanto. Foto e tudo. Mas fica, como o mundo parado exige, para depois do carnaval.

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