Pois é, demorei. Ironia de tudo que me cerca. Nunca vi speedy mais lento…

Já disse a vocês, em certa e longínqua ocasião, que adoro encontrar antigas anotações perdidas por aí. Eis que encontro, em meu caderninho de anotações, a pergunta “Quer palavra mais improvável que lusco-fusco?“.

É nessas situações que eu acho que existe definitivamente mais de uma Laura. Parece que converso comigo mesma. Puxa, é bem verdade que lusco-fusco é uma palavra improbabilíssima, ao que outra Laura completa, e olha que você nem imaginava que algum dia já tinha tido essa reflexão.

Enfim, loucuras à parte, vocês tem que concordar que essa palavra foge a toda a falta de engenhosidade da gramática brasileira. Um gênio, diria eu, da sonoridade, deve ser o responsável por ela, provavelmente alguém muito contrário ao inconseqüente que criou “superstição”, ou ao incapaz que deu a “lúgubre” o sentido de fúnebre, aliás, essa sim uma palavra que faz juz ao sentido. Tal qual “lânguido”, com sua auto-explicabilidade.

Espero que minha ausência não me tenha custado muitos leitores. Mas de fato a internet não ajuda. De qualquer forma, outro dia volto ao meu adorado assunto da gramática, afinal, não citei nem “indubitavelmente” nem “famigerado”…

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Os discursos do Teleton sempre beiram o preconceito por falta de informação, até mesmo nos pedidos para ligarem. O Rick-rener (não sei distingui-los: melhor que chutar um dos nomes é tratá-los como um só) falou algo como “nós”, tenho que citar que começou com “nós” para mostrar como nem mesmo ele sabe se citar sem falar do outro, continuando, o discursinho era que eles sabiam como eles querem ter os filhos perfeitinhos e como querem que tudo seja como os pais esperam pra os filhos.

Perfeitinhos…

Aí o Gugu falou que pelo menos as pessoas ajudassem para agradecer a Deus os filhos sem problemas que têm.

Na verdade perdi a frase em minha memória, mas era algo assim.

Eu ia me sentir muito muito mal se eu fosse deficiente. Aposto que eu não ia gostar de pensar que as pessoas devem agradecer por não terem filhos como eu.

Enfim, ano após ano dá pra pescar umas brechas no discurso que eu vou te contar, viu!

Não é para doar para agradecer que não se tem a deficiência. Muito menos por dó. É para ajudar não encarando a deficiência como algo terrível e as pessoas como coitadas que por causa da deficiência precisam de dinheiro mas sim como algo normal, que precisa sim de dinheiro, mas não de dó e piedade.

Fora que esse tomzinho 3D que fizeram esse ano tá horrível!

Mas tudo é válido, né!?

Vou mudar de assunto.

Descobri por que os psicólogos atendem em salas fechadas. Estava em um restaurante e na mesa imediatamente ao lado à minha, uma mulher enumerava todas as falhas de seu recente namoro. Além de pedir críticas à outra e falar o por quê de o namoro da outra não dar certo. Quase morri.

Foi aí que minha mãe chegou a uma incrível conclusão.

Na verdade essa conclusão partiu de uma história anterior:

Andava eu pela rua, em linha reta, quieta, séria. E com uma quase incontrolável vontade de pular, andar de costas e cantar em voz alta. Pensava em como os filmes são um máximo e como a vida é chata. Nos filmes sim, as pessoas, regidas pela trilha sonora, podem pular, dançar na rua, andar de costas, até voar.

Disse isso a minha mãe.

No almoço, ah, sessão psicológica acontecendo ao lado, decidi que em um filme isso nunca ia acontecer. Das duas uma, ou o diálogo ao lado seria interessante e revelador (dãn dãn dãããn!) ou já teriam cortado para outra cena.

E aí foi que a minha mãe tirou a brilhante conclusão: “O problema da vida é que a gente não controla os cortes de cena”.

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Perdi meu post. Não que seja a primeira vez que isso me acontece, mas cada vez é uma nova decepção.

E como costumo dizer, é uma lei da natureza que um texto reescrito (é com dois “e”s? se não for deveria ser) fica muito menos expressivo que o original.

Enfim, perdido o post e impossível de ser resgatado ou reelaborado. Acontece que por problemas técnicos a foto que eu queria enviar não envia. Aparece a irritante e infalível mensagem de “ERROR”. Mudemos, então, o assunto.

Adoro encontrar antigas anotações minhas. Ontem encontrei uma sobre a tábua de passar roupa, abaixo de questões sobre mitocôndrias, cloroplastos e seres autótrofos e heterótrofos:

“não tenho conta fora do Brasil” - declaração de Maluf 30/05/04 às 11:15 da noite na Band (TV)

Isso é o bom de anotar: reparem na data, 30 do 5…

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Alguém sabe se a Xuxa tem algum tipo de contrato vitalício com a Monange? Porque desde a época em que eu gostava da Xuxa (saudosa época em que ela cantava “marquei um x no seu coração” com botas de plástico, época em que lambada era moda…) que ela fala que usa o tal creme hidratante para deixar a pele fresquinha e protegida contra o sol ou o frio.

Estava reparando em umas palavras muito estranhas. Veículo é um exemplo, tão usual e tão absurda. Fica junto com alguém. Tentem escrevem em maiúsculas: ALGUÉM.

Alguém viu o veículo?

O melhor é quando as seqüências de palavras são estranhas:

Ganhei um ingresso de graça

Garçom, falta a fanta!

Tá no penúltimo penalti

Pêra é uma fruta de frio.

Não, não era um diálogo.

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Por que as pessoas, ao ouvirem “com licença”, respondem “toda”? Tem como dar licença parcialmente?

E por que o nojo todo quanto a baratas? Há insetos (ou mesmo animaizinhos asquerosos, como pombas) tão ou mais sujos que elas… ou no mínimo tão repulsivos. Acho que é toda uma cultura que liga barata ao nojo. Lembro-me agora de um Fantástico (ah, domingos…) que mostrou, no quadro do popular doutor Dráuzio Varella, como crianças, apenas a partir de uma idade específica (que minha falha memória não me permite contar), deixavam de comer alimentos nos quais uma barata de plástico era colocada. Taí minha prova científica de que o repúdio a baratas é cultural.

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