O espanta público

Jack Black (tubarão), Angelina Jolie, Will Smith e Renée Zellweger

“O Espanta Tubarões” é o típico filme comercial. Aproveitou a ondinha Nemo (desculpem-me o trocadilho por falta de palavras - por mais irônico que isso possa parecer), tem como grande parte de sua trilha sonora a música black, a onda do momento (se me permitem a repetição do trocadilho fraco, agora intencionalmente) e os dubladores são nada menos que Will Smith, Robert De Niro, Renée Zellweger (a Bridget Jones, cujo nome eu nunca vou saber falar) e Angelina Jolie, além de contar com a participação musical de Christina Aguilera e Missy Elliot.

Apesar de toda a tentativa de tornar o filme “pop”, as piadas são sem graça, a narrativa é totalmente previsível, mostrando a chatérrima mesma história de sempre, do homem que, após virar importante, descobre a paixão da moça que o via quando ele era um joão-ninguém e, como se tudo isso não fosse suficiente para tornar o filme insuportável, os diálogos não fogem dos clichês. A diferença, que não torna a história em nada mais divertida, é que dessa vez os personagens são peixes.

Uma idéia que poderia ter sido boa foi adicionar características dos atores dubladores às animações, porém, os pseudo-narizes, orelhas e roupas esquisitas deixaram os peixes e a animação como um todo horríveis! Ah sim, à exceção das duas águas vivas de dreads, que ficaram geniais, embora apareçam em uma cena chata.

Hoje, domingo, dia de Faustão, reparei em uma coisa óbvia que nunca tinha me ocorrido: as moças que dançam no programa são de longe a coisa mais ridícula da televisão brasileira. A começar pelo figurino, aquelas saínhas coloridas, com uma blusa justa e peluda no colarinho. A breguice nem é justificável pela baixaria. Saínha curta ou não, convenhamos que é ridícula. Depois pelo fato de as coreografias serem totalmente independentes das músicas, e por fim por sempre pararem ofegantes e sorrindo colgatemente, como se alguém acreditasse que elas estão felizes.

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Uma imagem vale mais…

Rampa do metrô Bresser/ algum dia ensolarado

Essa merece um texto:

A foto é do futuro primeiro shopping da Mooca, que funcionará nos andares de baixo da Universidade Capital. Um fiel retrato da nossa sociedade consumista e fútil. Poderia ter uma biblioteca, um laboratório multi-mídia, uma cinemateca (citei porque isso para mim seria muito útil), mas não, colocaram, lado a lado, educação e consumo.

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Pois respondendo ao comentário da Malu, o show foi longamente chato. Digo, chatamente longo. Ah sim, do Jorge Ben Jor, não especifiquei.

Durou, até eu sair, duas horas e quarenta, isso sem contar a uma hora de atraso. Segundo o vendedor de água, que me cobrou abusivos “um e meio” pelo copinho (sendo que a garrafa era, segundo ele, “dois e meio”), o show do dia anterior tinha ido só até a 1:40 (e já passavam dessas horas quando me fui). A água era cara mas o vendedor era simpático. E eu me encontrava desidratada demais para negociar preços, ou mesmo demonstrar minha insatisfação com o abuso.

Imagino que vocês estejam se perguntando como um show pode durar três horas. Respondo-lhes não com o imaginável “alguém mais participou”, pois isso não ocorreu e sim com o “o artista emendava, no final de cada música, a própria música”. Como assim? Pois é, ele cantava pelo menos duas vezes cada música, às vezes trazia um instrumento novo, às vezes só cantava.

Enfim, gostei de três músicas que eu conhecia melhor e só.

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Aaaahhh!! Perdi a minha capacidade de produção textual.

E não, não desenvolverei um texto a partir disso, é óbvio.

Mas creio ser temporário, é a falta de tempo para parar, pensar escrever. Aliás, é principalmente a falta de tempo para pensar, o resto seria conseqüência.

Pois dados os motivos de minha ausência no blog, e da falta de textos propriamente dizendo, despeço-me e prometo que assim que voltarem meus pensamentos em forma textual, transformo em idéias encadeadas as pequenas notinhas jogadas no meu caderno.

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Uma das fotos de reflexos que eu estou fazendo (Lâmpada no café da manhã) - a idéia da foto foi da lindíssima Tatu. Um gênio, não acham?!?

Estava ouvindo uma música e concluí que ser cantor é ter a coragem de cantar na frente de muitos e o poder para chegar lá. Saber cantar já é uma outra história.

Já perceberam que para bandinhas pop/rock costuma-se dizer “o som” e não “a música”? Não se ouve o som de Chico Buarque ou de Caetano Veloso…

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“Sujeira pra todo lado”

No dia seguinte às eleições, me deparei com essa cena desesperadora. Um homem tentava, empunhado de uma vassoura, vencer o vento e varrer para fora de seu estabelecimento os inúmeros papéis cheios de promessas e sorrisos falsos.

Acho extremamente triste que a cidade ainda esteja cheia de irritantes placas de plástico por todos os lados. Não que eu já tenha acreditado alguma vez na política do país, mas começar assim é ridículo demais.

Alguém aí sabe o prazo para tirarem as placas e recolherem os papéis? Não sei se é apenas minha memória curta e inventiva, mas me lembro de terem recolhido todos os artefatos de campanha e mandado para reciclagem na última eleição que teve… será que acontece?

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Uau, cinco dias. Talvez seja um recorde no meu blog. Mas tudo bem, feriadão, parece que só eu fiquei em São Paulo mesmo. Só espero não ter perdido visitas.

Outro dia, na ausência de meu caderninho, anotei uma idéia em um jornalzinho de publicidade da Marta. Acontece que as realizações da prefeita, junto com minha querida reflexão, foram parar no lixo (e ainda tive que ouvir um “meu carro não é lixo, como eu ia saber que você anotou alguma coisa lá?”).

A idéia é da música “Consumado”, do Arnaldo Antunes, que tem o trecho de maior hipocrisia que eu já vi. O “na rádio e sem jabá”. Duvido com todas as minhas forças que aquela enxurrada de consumado, consumido, canções de amor e canzones per te tenham sido por… simpatia pela música. Sei que tinha anotado algo dizendo que aquilo era hipocrisia explícita, pois há coisas implícitas que acabam sendo mais explícitas que as próprias coisas explícitas. E de alguma forma isso fazia sentido.

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Como de costume, me esqueci de no mínimo dois assuntos não anotados. Mas se o problema é assunto, o caderninho não falta! Busquemos as últimas anotações:

A vida deveria ter trilha sonora, vocês não acham? Por isso os filmes são tão emocionantes, tão além da vida. Qualquer história jogada na telona fica mais atraente, no mínimo.

Aliás, isso me leva a outro assunto nunca anotado, esquecido ou comentado. Benjamim, segundo livro do Chico Buarque.

Babava sobre o livro, boquiaberta, diante da primeiríssima página, a morte de Benjamim Zambraia, descrição perfeita do momento final de sua vida. Chegou-se a usar o clichê dos clichês ‘e viu sua vida passar diante de seus olhos em apenas alguns segundos’ com palavras tão exatas (não essas minhas, logicamente) que não pareceu banal. Inegavelmente a primeira e a última cena do livro são das mais geniais existentes. Conto-lhes que quando estava na sexta série (ano de 2000), aprendi uma técnica de escrita que sempre me perguntei quando, em algum livro importante ou bem escrito, seria utilizada. Aquela estranha idéia de começar e terminar uma história com exatamente o mesmo trecho, escrito exatamente com as mesmas palavras. Pois o Chico respondeu-me, com sua genialidade, a essa questão esquecida. Embora o início e o fim sejam praticamente iguais, o final do livro tem a omissão de uma única frase que muda por completo o sentido do trecho. Ah, impossível descrever sem citar o que é, por isso não descreverei. Seguiu-se à morte o começo da história, já não tão expressivo.

Decidi que depois melhoraria, afinal era o Chico, gênio da música e da literatura, como eu comprovara ao ler Budapeste. E Budapeste só começou a me chamar realmente a atenção a partir do terceiro capítulo. Tristemente Benjamim não melhorou. Considero-o uma preparação para o Budapeste. Há alguns trechos em que é evidente a tentativa de apenas jogar uma informação solta que depois será totalmente explicada. Pois é, a tentativa. Já em Budapeste, como já foi comentado no blog, essa técnica é utilizada à beça e de maneira perfeita até o começo do terceiro capítulo.

Achei Benjamim um tanto quanto vulgar e confuso, com exceção de algumas poucas frases que me faziam parar de ler, incrédula diante de tamanha precisão descritiva, para declamá-las e repetir irritantemente para quem estivesse do meu lado o meu espanto com a genialidade do Chico. Foi, aliás, por uma dessas frases que me lembrei de comentar o livro. Era algo como “O silêncio não sustenta o peso de longos olhares recíprocos, exceto nos filmes, e nem mesmo nos filmes porque ali, quando cessa o diálogo, o diretor sempre coloca uma música”, que me lembrei ao comentar que a vida deveria ter trilha sonora…

Vocês não acham genial? Não consigo achar um sinônimo, genial, perfeito, …

Outra coisa boa, característica do Chico, é a sonoridade das palavras e frases. Mesmo a passagem mais medíocre do livro (e isso só por comparação, porque não há nenhuma realmente medíocre), é perfeitamente declamável.

Recomendo do livro apenas o começo e o final, e a frase que fiz questão de transcrever, no mais, não creio ser tão bom assim.

Algum outro dia comento o filme…

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Por que não podemos votar bêbados se é assim que eles governam?

Não, não é uma crítica à lei seca, é apenas uma introdução ao meu post de eleitora novata.

Sim, hoje, pela primeira vez, votei. Entrei sozinha na sala, e até pude apertar o botão “confirma”, sonho reprimido que aumentava a cada eleição. Entrei com um pé atrás, outro na frente, como é comum entrar em salas. Só eu, sem fila, vacilei um pouco, a mesária me olhando, talvez confusa, provavelmente cansada e imaginando o por quê de estar ali. Recorri, trêmula, à minha colinha, porque na hora esqueci de tudo e de todos, tão maravilhada estava com a urna, com os botões. E digo que não imaginava eles tão macios. Olhei de novo a foto, o nome. É esse? Confirma. Prefeito. Olhar uma vez já basta, não há confusões possíveis. Confirma. Tã-nã-nã-nã-nã…

E eu lá sabia que fazia barulhinho? Saí zonza de trás do biombo de papelão, a moça me entregou uma caneta. Juro que não sei dizer como era a mulher, nem quantas pessoas havia na sala. Talvez fosse um monstro deformado, ainda assim não notaria. Deixei cair o comprovante de voto. Desculpei-me, ao que ouvi, e disso eu lembro, “não tem problema” (e isso me lembra o livro do Chico, “Benjamim”, o que me lembra também que nunca o comentei aqui). E não só foi a primeira vez que votei, como foi a primeira vez que usei minha assinatura em algo que não um aluguel de vídeo ou um documento (RG, título de eleitora).

Foto frustrada de mim tomando chuva e mostrando o título após minha primeira eleição

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