Ontem, por mais inacreditável e incrível que possa parecer aos que me conhecem, assisti ao filme “Um Show de Verão”, pois é, aquele da Angélica.

Assisti não por vontade própria, obviamente, é que estou fazendo uma matéria (para o projeto de jornalismo do colégio…) sobre a representação do jovem no cinema, e estou vendo alguns filmes que talvez tenham a ver com esse tema. E não é que o filme não correspondeu de forma alguma às expectativas que eu tinha? Surpreendeu-me tanto positiva quanto negativamente.

Acreditem os que quiserem (só não me venham com um “ver para crer” que, nesse caso, isso eu não desejo a ninguém), a fotografia do filme é muito boa. Por exemplo quando ficou em um mesmo quadro o vídeo do (eca…) Felipe Dylon cantando (ou fazendo o que quer que seja o que ele faz e finge que é cantar) e uma luminária metálica que refletia a imagem dos dois personagens em cena. Genial, principalmente por tratar-se de uma cena com o Felipe Dylon, o que já dava quase tudo por perdido.

Esse é um aspecto horrível do filme: a trilha shownora, com estilos musicais hiper variados e normalmente cortando a continuidade da narrativa. Porém, pelo pouco que vi do “Xuxa Pop Star” quando passou na Globo, o da Angélica mantém mais a identidade de filme do que o da rainha dos baixinhos, que pareceu-me mais uma sequência de atrativos publicitários mal organizada (mas não tomem isso como uma opinião formada, repito que vi pouquíssimo do filme).

A atuação do Luciano Huck é triste, não lastimável, mas muito triste. A da Angélica é passável, no entanto as cenas em que ela canta (ai!) são totalmente, inteiramente, inegavelmente dispensáveis.

E não se enganem, esse filme não é para crianças. Há mais de uma cena em que aparecem… bom, como direi isso em um blog tão bem frequentado quanto o meu? Moças do ramo, com seios aparecendo e dançando de forma extremamente sensual. Imaginem para uma criança fã da angélica? Ou será que a Angélica não tem mais crianças como fãs?

O pior de tudo é que as cenas são totalmente sem propósito. Quer dizer, tem o propósito (mesmo que da trilha shownora) de vender mais, mas será que é esse o interesse do público que assiste a um filme da Angélica?!?

Para os desavisados que ainda queiram vê-lo, o filme começa com uma música do CPM 22 e a primeira fala é algo parecido com “como eu faço para mandar um pegação Oi?” - propaganda do serviço da operadora do Rio…

continuo mais tarde, ou melhor, paro por aqui, que de desgraças o mundo já está cheio

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Eu sempre tento gostar de cuscuz. Acho ótima a idéia de misturar um monte de comidas em uma coisa só. O nome é outra atração à parte: cuscuz, uma repetição silábica terminando sonoramente com um “zê”, impossível não gostar.

Porém não gosto da comida. Gosto da idéia. Só acho que seria muito mais bonito se escrito com dois “zês”: cuzcuz.

Já que o assunto é comida, vou retomar a idéia que joguei no blog meses atrás. No futuro não muito distante, tudo será feito com base em soja transgênica. Hoje em dia mesmo, quase sem perceber, consumimos soja em formatos dos mais variados: queijo, carne, suco…

Essa variedade sojística é quase tão incrível quanto a idéia do cuscuz…

Imaginem um futuro em que o tão sonhado fim da desigualdade esteja próximo, e mesmo com o desperdício brutal de comida todas pessoas possam, com as maravilhas da soja, comer.

Ok, talvez nem tanto, mas que é incrível produzir tantas coisas com soja, é.

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Voltou ontem, de forma súbita e inexplicável, minha habilidade para desenvolver textos. Aposto que o desbloqueio mental foi porque passou minha prova de física, e com ela grande parte de minhas preocupações. Física me dá alergia, devido a fatores psicológicos: desespero, medo e a horrível sensação de total ignorância. E o pior é que eu não tenho o mínimo de motivação. Tudo que aprendo de física não poderá de forma alguma ser aplicado à realidade, uma vez que desprezam o atrito, a resistência do ar e tudo quanto for além da pequena capacidade de entendimento dos alunos. Então para que aprender?

Mas mal por mal, prefiro aprender menos e perder menos tempo, e me sentir menos ignorante, e ter menos alergia…

Anteontem mesmo, voltando ao desbloqueio, pensava, desolada (e constituindo, sem perceber, uma meta-linguagem e uma incoerência) que não mais conseguia pensar de forma textual, como sempre fiz. Cheguei a pensar que nunca mais conseguiria escrever um texto, com exceção dos medíocres. O que seria de mim, do meu blog, da minha vida? Não sei, felizmente voltaram como uma enxurrada (às vezes os clichês são ótimos) todos os pensamentos em forma textual.

Saindo da introdução para introduzir um novo assunto, ontem lia, absorta nas palavras do Chico, quando uma batida ritmada me tirou do transe. Sob o vão do MASP bradavam as bandeiras anunciando o retorno do bom prefeito. À frente de tudo, um homem vestido de cangaceiro, com incontáveis badulaques inúteis pendurados em sua roupa (chupeta, boneca, pente, panela). Ao fundo, uma banda de forró, sanfonas silenciosas, inaudíveis pelas janelas do ônibus, ouvia-se apenas, e isso bastou para aguçar a curiosidade dos passageiros, um ritmo agudo, vindo dos triângulos. O Maluf (seus assessores de campanha, o que seja) realmente acha que com um cangaceiro vai consolidar a imagem de bom prefeito, logo aqui na megahiperlópole de São Paulo, com sua hiper mega concentração de paulistas/urbanos?

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Se a vida te der limões…

… aprenda a fazer malabarismo e vá para o farol, é muito mais rentável que uma simples limonada.

Estava na lotação quando vi um adesivo curioso perto do teto: “PROIBIDO O USO DE APARELHOS SONOROS Lei Municipal n.o 6.681/65″.

Definam por favor “aparelhos sonoros”. Celular é um aparelho sonoro? Quer dizer, para a lei, porque obviamente celulares são das coisas mais irritantemente sonoras que existem. Principalmente em ônibus.

Outra coisa também são as lotações com rádio ligado em todo tipo de emissora popular, não querendo ser preconceituosa ou “musicocêntrica” (aquele que acha que seu estilo musical é o certo e quer impor isso aos outros), mas as rádios em que o locutor fica falando por horas, inclusive com quem liga, me irritam profundamente. Apesar disso adoro o fato de as lotações terem música, melhora o ambiente… mas não seria esse um ítem da lista de “aparelhos sonoros”?

Mais deprimente do que uma lei que não sai da teoria é uma lei que fica exposta para que todos vejam que não passa de teoria.

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“Todas as minhas músicas tem o objetivo de incorporar o amor, e o sexo, à vida”

Algo parecido com a frase dita pelo Arnaldo Antunes no show de divulgação do CD “Saiba”, no Directv Music Hall, em resposta à declaração da crítica, que “o Arnaldo voltou a ser romântico”. Digo “algo parecido” pois estou confiando unicamente em minha memória.

Arnaldo na parede do Directv Music Hall

Fui ao show na sexta-feira, e foi tudo de bom do início ao fim, ele cantou todas as músicas que eu mais gosto e até recitou a única poesia dele que eu conheço e sou apaixonada. Até a musica dos Tribalistas, o anti-movimento (bandinha feita para vender), que ele cantou sozinho ficou boa (é a única que tem um trocadilho não banal que é realmente compatível com o estilo do trio Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown: “pé em Deus e fé na taba”). Critico os Tribalistas só porque gosto da Marisa e do Arnaldo e acho as composições do Carlinhos Brown muito boas e tenho certeza de que eles podem fazer muito melhor (até porque as composições do Carlinhos e da Marisa ou as músicas que a Marisa canta com o Arnaldo são perfeitas).

Ah, ando tão sem vontade e inspiração para escrever… acho que é o bloqueio decorrente da época de provas, elas nunca me fazem bem.

Melhor foto que consegui, antes que minha máquina desligasse por falta de bateria, logo no comecinho do show

Aposto que vocês não adivinham quem estava lá. A Fernanda Young, escritora de “Os Normais”, que participa do Saia Justa, até tirei uma foto com ela, e disse, incontrolavelmente gaga, que é diferente fazer um texto que falado é engraçado e um que no papel é engraçado e que eu adorei o livro “Os melhores momentos de Os Normais”. Ela, que foi super simpática, inclusive para tirar a foto, disse que esse livro “não funcionou”, que as pessoas não acharam engraçado, que talvez seja muito sofisticado. Eu acho que o único problema foi divulgação, já que comprei o livro por acaso, uma vez que o vi para vender, sem que nunca antes tivesse ouvido que ele existia, e também depois de comprar nunca mais vi nada sobre ele em lugar algum. Mas lógico que não consegui falar isso para ela, me detive no “eu achei um máximo”. Valeu pela foto.

Ontem teve a maior chuva da vida de todos da minha casa (e olha que eu sou a mais novinha), ficamos até com medo de que as janelas fossem quebrar, por causa das pedras de gelo gigantescas que nela caíam.

Gelo, em pedrinhas do tamanho de bolinhas de gude (isso depois de já quebradas pelo impacto com o vidro) no parapeito da janela de meu apartamento. Não fui eu quem tirou a foto, foi ou meu pai ou minha mãe.

Além disso, a geladíssima chuva deixou a rua e os telhados brancos de gelo (coitados dos proprietários de carros que estavam estacionados na rua, mais coitadas ainda as pessoas que estavam sem abrigo na hora da chuva).

Rua coberta de gelos

Telhados gelados

Foi definitivamente assustador, mas a melhor parte é que os meteorologistas afirmam ter sido uma chuva de verão.

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Explicações

Pois explico a vocês o porquê de meu post gigante. Concordo que seja chato ler comentários de peças, ainda mais daquelas que já saíram de cartaz, mas é que a peça foi tão boa que era uma obrigação minha, comigo mesma, comentá-la propriamente, com detalhes e tudo mais. Vocês nem precisam lê-lo, dessa vez eu não ligo…

Aconteceu uma coisa estranha comigo no metrô. Estranhamente triste.

Sentei-me, como de costume, a uma cadeira de distância de uma velha senhora que lá se encontrava, à espera do trem. Algum tempo depois, apareceram dois meninos mal vestidos, jeitinho malandro, um sentou-se do meu lado, ao lado também da senhora, o outro, mais grandinho, ficou fora do alcance de minha visão, embora estivesse perto. O menino era pequeno, deveria ter uns dez, doze anos no máximo, apesar disso, com o pavor que todo paulistano tem de berço, apoiei rapidamente minha mão sobre a mala, protegendo assim todos os zíperes e aberturas de um possível furto. Foi quando saiu de trás da coluna um menino menor ainda, não parecia ter mais de cinco anos e berrava de dor, enquanto passava a mão na própria cabeça. Atrás dele vinha o mais velho, chuto uns quinze anos, chinelo na mão, arrumando a parte que tinha desencaixado. Não sabia se me preocupava com o menino, com a minha mala, ou com a idéia terrível de que ele tinha apanhado do maior. Sentou-se, ainda berrando, na cadeira desocupada a meu lado. Tenho até vergonha de falar, mas é o condicionamento maldito ao qual estão submetidos os habitantes desta cidade maluca: menino de rua, proteja a mala. Tudo bem que ele era pequeno e chorava, mas eu não sabia o que fazer, estava entre os dois, não sabia se era algum “esquema” para desviar atenção. Também não sabia se era apenas uma criança pequena que chorava sem ninguém para acalmá-la. Deu um tempo e foram embora o suposto agressor e o que sentava ao meu lado, que ainda foi falar com o menorzinho:

[Médio - afinal não era o maior nem o menor] Que foi, pequeno?

Sem receber resposta alguma além do choro sofrido da criança, perguntou ao outro

[Médio] Você bateu nele?

[Maior] Eu não, cê tá loco?

E foram embora, deixando-me, já sem dúvidas, ao lado do ‘pequeno’. Mas, mesmo sabendo que ele não iria me atacar, não sabia como ajudá-lo. Era só uma criança, inclusive bonitinho, feições pequenas e uma poética lágrima escorrida pelo rosto. Quanto às outras pessoas no terminal, não sei se hesitavam como eu, internamente desesperadas, pensando no que fazer, ou se simplesmente ignoravam toda aquela aguada tristeza. Entre um soluço e o reinício dos berros foi que encontrei minha deixa, disse-lhe:

[Laura] Você tá melhor agora?

O garoto não respondeu, parara o choro e os berros. Sorri-lhe, ao que ele também não teve reação. No instante seguinte à pergunta, interrompendo toda a minha ansiedade assustada e terna, apareceu uma mulher:

[Mulher] Você gosta de chiclete?

O menino fez que sim com a cabeça, desistindo definitivamente da dor.

[Mulher] Olha, eu só tenho um, mas é daquele ardido…

O menino novamente fez sinal positivo com a cabeça e pegou o chiclete. Segundos depois, adianto-lhes, estaria fazendo tchlec, tchlec, tchlec, mascando ao meu lado.

O “adianto-lhes” não sei por que foi, já que está exatamente na ordem do ocorrido… mas foi como apareceu em minha cabeça.

Ei, esperem! Ainda não acabou, e o melhor sempre é guardado para o fim.

O trem ainda demorava para chegar, e eu continuei sentada ao lado do menino, já decepcionada comigo mesma por não ter falado nada para ele antes. Foi quando ouvi um bip bip eletrônico. O garoto se levantou e buscou, em um bolso abaixo da jaqueta, enorme em relação a seu corpinho pequeno, um joguinho eletrônico, que deteve sua total atenção pelo tempo seguinte, até que chegou o metrô.

Ao entrar no vagão, sentou-se ao lado de uma mulher que, com uma expressão de asco, espremeu-se no banco para dar-lhe passagem sem tocá-lo.

Uma criança! Bonitinha ainda, feições pequenas, cabelinho espetado…

Imaginem as perspectivas desse menino quanto à vida. Alguém que chora sozinho, que anda sozinho, que de toda a parte sofre discriminação. Eu acho que não só a atitude dos meninos de rua gera maus tratos da parte dos cidadãos, mas principalmente a própria atitude dos cidadãos em relação a eles é que gera a violência. Eu é que não queria ter que chorar minha dor sozinha, no meio de pessoas surdas e cegas por opção.

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Tempos depois…

… provas depois…

… pensamentos depois…

e chega de deixar tudo para depois!

Esses últimos tempos deixei de andar com meu bloquinho de anotações, estava anotando cada coisa em um lugar. Eram, como vocês podem imaginar, pensamentos sem volta. Um em uma apostila, outro em um caderno, um outro ainda em uma reportagem…

Decidi, de súbito, que retomaria todos os pensamentos de momentos, o da aula, o da rua, o que tive em casa mesmo. E vocês não imaginam o quanto as pessoas bisbilhotam o que se escreve em público. Era só lembrar de um assunto deixado para trás, lá ia eu, que fosse no ônibus, no metrô ou mesmo no meio da Paulista, escrevendo os tópicos e tentando de toda a forma lembrar onde este ou aquele pensamento estavam anotados. Me senti, devo dizer, extremamente invadida ao ter minhas anotações lidas por estranhos, eles viram, em primeira mão, parte da matéria-prima do blog.

Acho que o comentário mais antigo é o da novela Cabocla (nem sei se ainda é exibida), outro dia, por nada, resolvi assistir a alguma novela e estava passando essa tal Cabocla. Não sei a história, não me interessei por desvendá-la, via apenas por diversão, quando apareceu uma suposta espanhola em cena. Sotaques globais, sabem como é, o de Terra Nostra já foi muito críticado, mas não pude evitar a pontada em meu estômago quando ouvi a espanhola dizer “gente” com o som do “gê” brasileiro bem forte, muito menos quando ela, antes de sair, disse simpaticamente “licencia”. É permiso! Não licensa, muitissíssimo menos “licencia”.

Outra coisa que eu nunca mais comentei foi a peça “Os Sete Afluentes do Rio Ota”. Como já comentei, o tema central da peça é a violência atroz entre humanos, que é mostrada em sete capítulos bem distintos (sete é o mesmo número de afluentes do Rio Ota, no Japão, um dos locais afetados pela bomba de Hiroshima), cada um mostrando uma época diferente e sem em momento algum ser trágico ou martelar em assuntos batidos. Nossa, falar sobre a peça me faz querer ver ela mil vezes de novo! Infelizmente já acabou…

O palco era dividido em três partes, que mostravam cenas diferentes. Por mau planejamento, do lugar onde eu estava sentada não se via grande parte do meio e da ponta da direita do palco. Perdi um monte de cenas. Ah, algo interessante para se contar é que a peça durava cinco horas só com um intervalo e apesar disso nem me cansou.

A direção é de Monique Gardenberg e vou fazer comentários breves sobre os atores que estavam geniais na peça, e sobre os que estavam medíocres (estão pela ordem em que apareceram na peça: para eu não me perder estou seguindo o programa).

De geniais tinha a Maria Luisa Mendonça, que estava engraçadíssima quando interpretou a estressada dona da pensão e ótima também como criança, o Caco Ciocler, o Luis Carlos Prestes! Não que eu queira restringir a atuação e a imagem dele a um único papel, até porque não gostei muito dele em “Olga” e na peça ele estava ótimo, mas foi inevitável, apareceu muito bem na cena do suicídio assistido e na que precedia essa, Beth Goulart, foi genialíssima, principalmente quando interpretou Patricia Herbert, a dondoca arrogante, casada com o embaixador do Canadá (será que era do Canadá mesmo?) e Jiddu Pinheiro, que eu nunca tinha visto na vida e impressionou muito com uma atuação espetacular, o elenco da peça era definitivamente muito bom, Pierre Maltais também estava bem, principalmente na cena em que dançou em cima das pedrinhas, a que eu assisti do chão, já que do meu lugar não via nada, e fiquei morrendo de medo de levar uma pedrada acidental. Eu cheguei a falar do cenário genial? Qualquer coisa comento depois dos atores menos bons da peça.

Simone Spoladore, se não me lembro mal era uma das únicas atrizes que não estava muito bem, interpretou Ada Weber e, embora não chegasse a parecer falsa, não parecia comovida de verdade nas cenas mais dramáticas, nem convencia muito nas mais engraçadas, Helena Ignez não convenceu, na cena do suicídio assistido de Jeffrey O’Connor (Caco Ciocler) saiu chorando muito falsamente. Mas nada de desesperador, cito essas atrizes como “ruins” apenas pela comparação com o elenco impecável da peça, a bem da verdade, nenhuma era realmente ruim.

Nossa, já está ficando grande. Acho que já comentei sim que os aspectos técnicos, de produção, eram muito bons. Sem críticas sérias a essa peça, foi em tudo genial, menos na escolha do local de exibição, já que, para mim como para as outras pessoas que se encontravam no canto era impossível enxergar o palco da maneira como foi arrumado.

Esqueci de dizer, teve uma cena que deu até arrepio de tão boa. É o capítulo 5, “O Espelho”, em que o cenário era feito com duas caixas grandes que dependendo da iluminação eram vidros ou espelhos, dessa maneira, Jana Capek (Helena Ignez), ficou de um lado do espelho, em Hiroshima 1986, e, ao olhá-lo, viu-se pequena (Maria Luisa Mendonça), junto a outras pessoas, em Terezin, 1943 (campo Nazista para onde eram enviados membros da elite cultural européia, antes de serem mandados para o extermínio). Os atores que estavam no campo representavam atrás das enormes caixas, e ela observava tudo postada na frente das caixas, como se lembrasse de sua infância trágica. O mais legal é que nem aparece nada muito típico de campos de concentração, algo que é sempre explorado pela arte. Nesse campo os judeus organizavam-se para dar palestras dos mais variados assuntos (no final do programa tem essa explicação e a listagem verdadeira de palestras que ocorreram lá), enquanto não chegava a hora de serem levados à morte. A cena que eu considero mais linda da peça é a hora que os atores passam andando com suas malas pelo palco, entrando por um lado e saindo por outro, incessantemente, e começam a acelerar o passo, enquanto a menina (Maria Luisa Mendonça) corre em desespero à procura de alguém que eu não me lembro quem é, grita, e os atores continuam seguindo seu caminho, cada vez mais rápido, a música perfeita, perturbadora, a menina gritando, e os atores apertam o passo até que começam a correr, seguindo o ritmo da música e ignorando o choro da garota, que contra a corrente corre também. Triste eu não lembrar o que faziam as pessoas, por que corriam ou quem a menina procurava, acho que era a mulher que tratava-a como filha, e que havia se matado algum tempo antes.

Gente, é isso, se for comentar mais coisas no mesmo post das duas uma, ou o blog estoura ou ninguém mais nunca entra para ler realmente alguma coisa.

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Meu sonho sempre foi tirar a foto de uma vaca, sob o ângulo do focinho, fazendo-a parecer grande e bonita. Bom, vacas são grandes e bonitas. De qualquer forma, a verdade é que eu não sabia onde poderia algum dia encontrar uma vaca, quanto menos tirar fotos dela! Eis que no meio da viagem, paramos em um restaurante com um brutal aglomerado de animais de fazenda encarcerados. Tá bom, eu admito, os animais eram lindos, e eu, demonstrando toda minha urbanidade, fiquei maravilhada com os rabos enrolados dos porquinhos, com os filhotes de cabras, com o micro pônei e com as duas enormes e malhadas vacas que lá se encontravam, ainda que em condições sub-animalescas (ou seria “animálicas”?).

E finalmente pude realizar meu sonho (musiquinha de realização, típica de trilha de novelas mexicanas ao fundo…)

Tinha também um porco peludinho, marrom, gordo e lindinho lá dormindo, parecia o porco do Cascão, da turma da Mônica, nada a ver com esses porcos rosas esquisitos, como o Babe.

Estava pensando, uma dessas reflexões que só se dão em viagens longas: onde as pessoas que trabalham nos pedágios param seus carros? Ou como elas chegam até o pedágio?

Fiz as duas perguntas (da formiga e das palmas no frio) para a minha professora de biologia. Ela respondeu, sem certeza, que as formigas tem visão multi-alguma coisa e que provavelmente a formiga me viu, mas não sabia responder a do frio. Aguardo respostas.

Criei mais uma teoria: para mim, as melhores críticas são aquelas que propõe soluções. Pensem bem, se só críticas bastassem, os taxistas já estariam no governo e a cidade sem nenhum problema.

Outra coisa que me veio à cabeça (durante uma das famosas e produtivíssimas aulas de história do Brasil) é que impopularidade é um termo muito relativo, porque, normalmente, uma pessoa “impopular” é muito mais comentada do que a própria pessoa “popular”. Então como afinal se chamam as pessoas que ninguém conhece? Não seriam essas, realmente, as impopulares?

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Faz muuuuito tempo que eu não escrevo. Mas na verdade preciso estar em casa para postar uma foto da minha viagem. Isso mesmo, uma foto, pois ela solitariamente já basta.

E, para os atentos, o texto anterior, com um único detalhe, prenunciou sutilmente o que vem por aí.

Por enquanto fica o suspense.

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Erramos (eu e minhas múltiplas personalidades)

Ô-ôu… não era para eu ter publicado esse último post. Daí ele ter ficado sem fim (vocês sabem que eu não faria isso de propósito, não é mesmo?) e com indicações de “onde colocar as fotos”. Passei o dia pensando que ele estava nos rascunhos e que chegando em casa eu iria publicá-lo. Tudo bem, para os que leram e esperam o final, leiam novamente, já estará arrumado.

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