Continuando…

Pois finalmente tenho tempo. Recebi hoje meu certificado de conclusao de curso de espanhol e aprovaçao no exámen final. Amanha volto ao Brasil, aa guaraná, ao feijao, aa família, ao Chico, aos saltimbancos… ahh! Nao vejo a hora!

Ah sim, a última coisa que comentei foi a farsa do corneto caramelo, nao é mesmo? Ainda nao encontrei nem ao menos um, realmente, mas isso, embora rapidamente, já foi comentado, entao passemos para outros assuntos.

Os homens estátuas dessa cidade sao muito bons. Eles todos esperam, estáticos, até que alguém lhes dê uma moeda, e quando se coloca o dinheiro eles fazem algum movimento divertido de agradecimento. O primeiro que eu vi estava todo pintado de preto, e era estático mesmo. Ao se colocar uma moeda, ele se virava para a pessoa que tinha tido o ato de generosidade, com o movimento acompanhado por um som robótico, entao mexia os lábios comicamente, mandava beijinhos e abria um belo e branco sorriso. E nao era uma exceçao, era uma regra. Todos aqui fazem coisas divertidas quando se dá dinheiro.

O outro que eu vi reclamou que minha mae tinha dado muito pouco. Esse talvez fosse o mais perfeito, era um busto de Carlos Gardel, o resto do corpo ficava oculto atrás de uma (como vou explicar) estrutura que imitava mármore. Era perfeito. Ao receber mais dinheiro ele agradeceu simpaticamente tirando o chapéu. Aa tarde eu vi o mesmo homem fora da estrutura, limpando o restante de maquiagem em seu rosto. Tirei uma foto meio escondida, mas nao teve jeito ele me pegou no flagra. Sorriu sinceramente e virou-se uma vez mais para o espelho que segurava na altura do rosto.

Eu passei uma boa parte da viagem com uma música do Chico na cabeça, que no caso eu nao sei a letra. Aquela que diz:

Peguei uma gripe em — (como era mesmo?)

Mas já to quase bom

na na na na na na na na

na na na na na na na na

na na na na na na na na

Meu amooorrr….

É porque eu peguei uma gripe, aqui na Argentina. Agora já estou boa, acabei passando a idéia pro blog tarde demais, o propósito do comentário era poder falar ¨mas já to quase bommm¨

Teve um dia aqui que eu fui ao espetáculo ¨Les Luthiers¨. É um conjunto que mistura humor, música e criatividade, explorando o óbvio de forma hilária. E todos sao perfeitos em todos os instrumentos que tocam (alguns eles mesmos que inventaram), além de serem impecáveis no canto.

Diante de todas as diferenças culturais (e olha que há muitas semelhanças entre Brasil e Argentina) eu adotei a postura e me apossei da frase do Obelix, no filme ¨Asterix entre os Bretoes¨: ¨sao malucos esses romanos!¨.

Por falar em Obelix eu vi o Obelisco e a 9 de Julio, se nao me engano, ou melhor, se nao me enganaram, a avenida mais larga do mundo, ou da américa latina, tendo ao todo 16 pistas nas duas maos (8 em cada). O Obelisco é lindo, adorei a idéia de iluminar apenas a pontinha dele.

É isso, com assuntos que nao tenham relaçao com a minha viagem, volto em sao paulo

beijos

Laurie.

P.S. SIM, VOLTO AMANHA! Escrevo só depois disso, OK?

Filed under: Meus posts — Laura

Continuando o relato…

Eu tirei uma foto do homenzinho vermelho de farol que tem os bracinhos abertos. Já comentei que aqui eles tem posicoes diferentes?

No domingo eu visitei San Telmo com o curso, depois fomos eu e minha mae por uma pracinha e estava acontecendo um movimento humanista anti-violência (achei o circunflexo!), além de um movimento chamado ‘movimiento calle abierta’, com um homenzinho expansivo e expressivo bradando em um microfone que todos eram bem-vindos para expressar opinioes, ler poesias, ler textos, cantar ou tudo o que nao estivesse ligado a coisas ruins (violencia, e outras coisas- mas poemas de amor com erotismo no meio estavam permitidos). Eu achei um máximo, um homem, o Paco, tocou dois tangos no violao, e tinha um monte de gente lá ouvindo, assistindo, sentados no chao da praca. Quando eu crescer eu quero ter uma praca com um movimento de comunidade e liberdade de expressao.

Aqui na argentina eles nao tem guaraná antarctina, nem Kuat, nem nada! Estou morrendo. Ainda descobri que aqui se vende corneto caramelo, o que me encheu de esperancas: puxa, que país maravilhoso! Mas nao, nao, queridos leitores, é tudo uma farsa. Além de aqui a maioria dos lugares vender Nestlé (aqui se chama ‘Frigor’) ao invés de kibon, os lugares que tem corneto só tem crocante…

tenho que ir de novo, tenho prova oral de espanhol para conseguir meu diploma agora.

beijos

talvez algum dia eu consiga comentar tudo o que eu queria há dias!

Laurie.

Filed under: Meus posts — Laura

Tatu, tudo a seu tempo, meu amor. Tempo… tenho pouco, o mosso (palavra escrita foneticamente) avisou que `cierra en menos de 20 minutos´, por isso, embora tenha muitíssimo para contar, serei breve.

(e sim, sempre imito os homenzinhos do farol).

a viagem esta sendo maravilhosa, meu espanhol se desenvolveu muchísimo, em detrimento do meu portugues (brincadeira, é que o tempo sem me exercitar no blog me faz mal… odeio nao escrever no blog!)

Mas como disse, serei (obrigada a ser) breve.

Sabe aquelas frasesinhas sol e chuva casamento de viúva e chuva e sol casamento de espanhol (interrogacao) Deveriam mudar para Sol e Laura marcando zoologico chuva. Tá bom, a minha frase nao rima, nao tem métrica e menos ainda segue a estrutura das originais, mas ao menos é verdadeira. Ou era!

Sim, sim, sim, sim, sim! (foi necessário) Fui ao zoológico e foi o dia mais quente de todos aqui! Até fazia sol! (acho que na argentina as coisas tem o efeito inverso que em sao paulo).

Achei triste os animais presos para fora das cavernas(dois pontos) tinha um urso pretinho com fucinho lindamente cor de mel que queria entrar na caverna e estava trancado, para que ele ficasse ´em exposicao´.

Apesar disso eu vi elefantes (tirei uma foto COM eles), tinha vacas mas nao as vi, vi cangurus e até vi suricates! (o timao, do timao e pumba), eles sao bem menores do que parecem pela tv.

E melhor que tudo, pela primeira vez na viagem nao me senti turista por estar com um mapinha na mao e fotografando. Ai meu Deus! Esqueci de ver os elefantes marinhos… ahhh… mas eu vi um lobo marinho trocando carinhos (e apenas isso- até onde eu vi) com uma foca. E gente como o animal é peludo! Isso deve ser ruim, considerando-se o fato de ele viver na água. (de quando em quando eu acho os sinais gráficos aqui no teclado esquisito. E aqui cada um é de um jeito- o ce cedilha ainda sem chance).

Antes de entrarmos no (ou encontrarmos o) zoologico tiramos uma foto com uma máquina lambe-lambe, que é igual aa que o seu madruga usa para tirar uma foto da Chiquinha no dia em que o Chaves chega aa vila. Por falar nisso falaram que passa El Chavo del 8 aqui, eu preciso assistir.

No dia do jogo eu saí do locutorio com a mao tremendo de ansiedade, ouvia o jogo narrado em espanhol e nao entendia uma mínima nem uma grande palavra. Nada. Estava já nos penaltis. Fui correndo comprar uma coca, voltei para o hotel e vi no telao de um bar (que estava voltado para a rua) o penultimo penalti (que sequencia de palavras divertida, nao?) do Brasil, talvez o mais lindo, que o jogador chutou no cantinho e mesmo o goleiro tendo pulado pro mesmo lado entrou. Tinha um baaando de argentinos com desanimo total na cara estacionados nas calcadas, vendo o massacre. Corri pro hotel a tempo de ver o último gol e mais pessoas decepcionadas. Tenho que ir rápido, meu tempo já está se esgotando (me sinto uma atriz de seriado americano babaca desarmando uma bomba que mostra 5 minutos e demora 37 para explodir). Mas aqui demora só 5 mesmo.

Depois do jogo fiquei assistindo a todos os telejornais, que nao falavam de outra coisa (dois pontos) UNA INJUSTICIA!

Brasil ganhou mesmo nao tendo merecido e blablabla. Os argumentos? A argentina chegou mais vezes ao gol. Acreditam? O que conta nao é quem joga melhor, e sim quem faz mais gols! Se o juiz nao roubou, o jogo foi legal. Ainda mais se o brasil ganhou. hahaha. ah, hum, quer dizer, futebol é máfia.

Depois eu vi um cara comentando que embora a argentina tenha atacado mais ela também deixou a defesa mais aberta e melhorou as condicoes de contra ataque (ai como eu queria ter assistido a esse jogo).

Ainda tenho mais coisas anotadíssimas para comentar, mas o tempo se esgota.

Saudades de poder escrever direito no blog, Tati, Má, saudades de voces, saudades da música brasileira, saudades de arroz e feijao, saudades de guaraná artarctica, saudades do Pipo.

E a ordem nao está certa.

beijos

saudadosos

Laurie.

(correspondente da argentina)

Filed under: Meus posts — Laura

Oi, entrei soh porque nao aguento mais ficar sem postar. Mas agora descobri que o jogo brasil argentina foi para os penaltis e estou louca para sair do locutorio e ver as cobrancas. Me digam, quem jogou melhor?

Estou no ninho errado aqui, pra torcer pro brasil. mas voces nao acreditariam se eu dissesse que a cidade tah invadida por brasileiros. todo canto tem um. aqui tem eu.

achei mais uma diferenca: alguns dos homenzinhos dos faróis de pedestres (agora sim achei o acento) tem os bracos abertos (isso os vermelhos) e os verdes nao sao verdes, sao brancos (hoje vi o primeiro verde). tirei uma foto de um farol de pedestres de bicicleta, que tem um homenzinho em cima de uma bicicleta.

estava pensando também que no futuro distante todos os alimentos serao feitos de soja modificada. mas falaremos (eu e minhas múltiplas personalidades) sobre a soja mais tarde.

besos, chao, hasta luego.

gracias (só pq eu adoro falar gracias o tempo todo)

laura.

Filed under: Meus posts — Laura

Diferenças entre Brasil e Argentina, sob a ótica…

…bom, a minha ótica, afinal essa é a proposta do blog:

Item 1: as placas de carros

Nao sei se sabem, mas uma de minhas paixoes (que resulta em inúmeras críticas para com a minha pessoa) é olhar diferentes placas de carros. Sempre vejo de onde sao, relaciono a sequencia de numeros de todas as formas possiveis e olho as letras. Bom, é melhor pular direto para a diferença, se nao vai ficar muito comprido.

Embora tenham 3 letras, como as nossas, as placas da Argentina tem apenas 3 números, além de nao terem explícito o nome da cidade, dessa maneira aparece escrito apenas ´Argentina´. Além disso, as placas sao pretas com as letras brancas, o que melhora a visualizaçao (ao contrario das nossas, etc, etc).

Item 2: os botoes de descarga

Aqui, na maioria dos lugares, a descarga é uma placa com um botaozinho pequeno.

Item 3: a gorgeta

embora seja normal dar a quantia de 10%, isso nao vem incluso na conta.

Item 4: as tomadas

Acreditem, todas sao redondas. Todas. Tivemos que comprar adaptador para poder ligar coisas como o carregador de baterias da minha máquina.

Item, finalmente, 5 (esperaram pelo mais incrível): leiam abaixo!

O farol antes de ficar verde fica amarelo.

O post foi escrito com pressa e acabei de ver que a estrutura itens é muito inferior a um texto. Na próxima eu acerto.

Besos

Laurita.

Filed under: Meus posts — Laura

Esta parte é resposta para alguns comentadores:

Pois estou feliz aqui. o curso toma mto tempo do dia, e nem tem conteudo pra tantas hrs de aula (a mamae concorda), mas tem passeios guiados com explicaçao e o pessoal sempre se reúne pra sair depois. Aprendi a ler mapa. Aprendi a andar pelas ruas. Aprendi o preterito pluscuamperfecto. Entre outras coisas.

Estou comendo um doce estranho. Nao sei se é a marca ou o nome, mas alguma coisa é Mantecol. Nao é bom, mas hj eu comi um alfajor aqui de… calma que eu tenho que fazer a comparaçao exata, de derreter todo o corpo. nao sei se entenderam.

Entao é isso, vou fazer outro post separado.

Cámila, nao tenho como mexer nas fotos daqui (se tivesse provavelmente nao teria tempo), mas vc pode pressionar o meu irmao para fazer isso (pede pra ma que falar com ele ela fala com prazer), ele ficou de arrumar o site mesmo. E nao, vc nao tem jeito mesmo, má, mas eu te amo mesmo assim.

E bruno, prefiro nao comprar briga.

Vou colocar o outro assunto em outro post.

Filed under: Meus posts — Laura

Directamente de Buenos Aires

Buenos días

Estou escrevendo de um Locutorio aqui da Argentina. É um lugar da telefonica que tem telefones e computadores bem baratinho (eles estao espalhados pela cidade).

Só me confundo um pouco com esse teclado, nao sei onde é o til, e acabei de descobrir onde é o acento.

Em compensa(cedilha)ao tem uma tecla só para o ñ.

A viagem de vinda, embora tenha comec(cedilha)ado cedo foi ótima. Tinha um menino muito fofo atrás de mim… perguntou para o pai dele se um dinossauro rex poderia pegar o aviao aaquela (também nao sei onde fica a crase, nem o ce cedilha) altura. Isso é muito uma dúvida nunca sanada da minha infancia: qual é a altura de um dinossauro? E nada de números, metros, ou o que for. Exijo comparac(cedilha)oes. Maior que um prédio grande? Muito maior? Menor?

Afinal, quantos andares tem um dinossauro grande?

O menino ainda completou, após a resposta do pai (que eu nao ouvi): ah, entao só os voadores conseguem.

O aviao da vinda foi pulverizado antes de descer, por exigencias das autoridades argentinas, acreditam? Mas é tudo de bom estar aqui, e agora eu tenho certeza de nao estar contaminada.

Ah, voces nao vao acreditar! Ontem assisti a ET dublado em espanhol e depois a Do que as mulheres gostam (aquele com o Mel Gibson e a Helen Hunt) também dublado. E os anjinhos crescidos também.

Bom, é isso. Já estou ficando superficial.

Hasta luego.

Filed under: Meus posts — Laura

Banco de dados em pleno funcionamento

Fui à locadora devolver os filmes alugados, e a moça me perguntou o que achara de “Um copo de cólera”. Eu esperava ansiosa por essa pergunta, queria mais do que tudo expressar minhas opiniões sobre o filme. Sempre repondo “bom” ou “mais ou menos, não gostei muito”, imaginem só, logo eu! Pois dessa vez, por já esperar o momento, sabia o que dizer.

Eis que a moça perguntou, como eu ia dizendo antes de ser interrompida por meus próprios pensamentos. E respondi-lhe: eu não gostei muito, porque a linguagem é muito teatral.

Talvez por simpatia, talvez por curiosidade, talvez por puro impulso, me perguntou do que se tratava o filme. Ah, movimentei minhas mãos, meus olhos provavelmente brilhavam, abri a boca, e lá dentro já estava pronta a crítica. Respondi que mostrava um casal, onde um ficava insultando o outro. “Insultando! Era essa a palavra” pensei enquanto continuava dizendo que o assunto do filme na verdade era que para utilizar a razão deve-se incorporar a ela suas paixões (ao que a moça me olhou entre ignorante e assustada e fez um “ah” ou apenas moveu a cabeça, já não me lembro).

A bem da verdade, o post de ontem começou a ser escrito à tarde, um pouquinho depois de eu ver o filme, porém por mais que eu insistisse, não conseguia organizar direito minhas idéias. Acabei imaginando um jeito de melhorar os pensamentos: usar um gravador para os comentários feitos logo após o filme- sempre os meus melhores. Infelizmente não seria possível voltar o tempo e gravar tudo o que eu tinha dito, então simplesmente escrevi tudo o que me veio na cabeça (inclusive repetindo idéias em estruturas diferentes) e deixei para terminar de organizar o post mais tarde (o que no caso aconteceu bem à noite). E desde a primeira vez que eu escrevi o post, buscava um substituto para o meu “acusação” (”entre uma acusação e outra (…)”), afinal, os personagens não se acusavam, eles se… como é que é mesmo? Não é agrediam, também não é xingavam…

E hoje, quando devolvi a fita, ao fazer meu comentário, saiu naturalmente, insultavam, eles se insultavam!

Vou modificar no post anterior…

Ahh, não entrei aqui para isso, é verdade.

Amanhã, logo muito desumanamente cedo vou viajar para a Argentina, mais especificamente Buenos Aires, e volto só no dia 31. Provavelmente postarei de lá (incluindo fotos, até mesmo da viagem de Serra Negra- se tudo der certo), mas de uma forma ou de outra fica aqui um aviso.

E eu vou sem dúvida postar com menos frequência.

Portanto não se desesperem, nem gastem idéias imaginando o que aconteceu para eu não postar, OK? (e não queimem os tacos!)

muchos besos y hasta luego!

Filed under: Meus posts — Laura

Hoje assisti ao filme “Um copo de cólera” (de 1999). Ou melhor dizendo, ao não-filme, por apresentar tanto as frases quanto as expressões corporais em linguagem teatral. Em cinema, assim como em televisão, qualquer movimento mais expansivo causa um desenquadramento do ator, portanto movimentos assim são evitados. No filme, os maravilhosos Alexandre Borges e Julia Lemmertz (ela, na verdade, em atuação não tão boa, nem tão teatral) falam em tom de teatro (inclusive com o volume de voz alto- o que não seria necessário devido ao microfone) e abusam da expansividade, mudando constantemente de lugar e abrindo os braços, movimentos acompanhados muito bem pela câmera, mas que não são de cinema.

A primeira cena do filme mostra apenas uma estrada, um pouco de mato, nenhum carro, nada de música. Após dois carros, a cena muda para o portão da fazenda, por onde entra Julia Lemmertz, e tudo continua a transcorrer lentamente. Isso me levou a pensar imediatamente se não seria um filme de arte, possibilidade descartada rapidamente, apesar de toda a lentidão despropositada, pois o pre-requisito básico para isso seria uma boa fotografia, ausente na filmagem. Após as cenas paradas, em que os atores aparecem em atuação lastimável, pois não se diferencia o tom teatral e ainda se espera o tom cinematográfico, começam as cenas inesperadas de sexo explícito, em todas as posições possíveis. Tão explícito a ponto de eu, no meio do filme, decidir procurar a classificação dele na internet para ver se não era pornô ou algo semelhante. É um drama. Com muitas cenas de sexo explícito. (detalhe importante: não sabia isso pois ao ser alugado, o filme vem em uma caixinha padrão e, além de não ter sido eu quem alugou, o filme estava numa prateleira junto com as comédias)

Após todo o prazer, começa a parte descrita pela sinopse, mais teatral impossível. Ao ver sua cerca destruída por formigas saúvas, Alexandre Borges tem um ataque de cólera, o que faz com que a racional jornalista com quem ele passou a noite comece a debochar dele. A partir dos ataques morais da moça, o homem revida, transcorrendo em falas complexas e (terei que repetir de novo) nada além de teatrais sobre moral, racionalidade e paixões, mostrando especial prazer em diminui-la ao máximo, ao que recebe resposta não menos espirituosa da mulher. Entre uma acusação e outra, aparecem takes do Alexandre Borges expressando suas sensações e pensamentos. Muito bom, mas definitivamente não é cinema.

Apesar de todos os aspectos negativos, o filme não é de todo terrível. Passa a idéia (muito boa, aliás) de que para se usar a razão deve-se incorporar a ela suas paixões: linda a frase, não é mesmo? Porém, dessa maneira, o filme cai no mesmo erro de “Dogville” ou, melhor ainda, de “De olhos bem fechados”, ao utilizar mal uma boa idéia. E as pessoas sempre acham isso justificável, contanto que a idéia esteja presente. Para mim cinema tem que ser completo. E acima de tudo, se for para ser um filme, tem que ser cinema! O filme foi, segundo minha avaliação, uma adaptação teatral tentando se passar por filme, inclusive por ser curta, por apresentar apenas um trecho de uma história, por não dar nome aos personagens, entre outros tantos motivos óbvios e indescritíveis pelo blog. Ou já descritos.

Embora tenha achado muito melhor que “Dogville” (eca!), não recomendo “Um copo de cólera”.

Filed under: Meus posts — Laura

“Fui dar em Budapeste (…)”

Comecei Budapeste com a esperança de que fosse um romance mal escrito, pouco expressivo, ou no mínimo desinteressante. Não por realmente achar isso, mas porque, caso assim fosse, teria argumentos consistentes na minha súplica para que o Chico Buarque retornasse definitivamente à música, voltando inclusive a fazer shows (para o bem de fãs como eu). Mas depois de um comentário recente, de que as músicas dele descrevem excessivamente as situações, tive que admitir: ele nunca foi músico, por melhor que seja nisso. Suas músicas são mais do que melodias combinadas com palavras soltas, são histórias musicadas. E até por isso são tão perfeitas.

Budapeste, enfim, acabou com as minhas falsas esperanças. O romance é uma delícia, a história linda, as palavras sonoras (mal conseguia lê-las sem declamá-las baixinho), o final genial (e não é só para rimar). O Chico só parece ter um prazer especial em fazer o começo de cada capítulo ininteligível, mas nada no livro fica sem explicação, e o desespero por respostas imediatas passa depois de um tempo.

Tudo o que tenho a dizer sobre o livro, realmente, é leiam.

E de agora em diante, nada de desejar que o Chico largue a literatura de vez para voltar a dar shows! (se bem que um showzinho de vez em quando não faria mal a ninguém, não é mesmo?)

Filed under: Meus posts — Laura
Próxima Página »